Em 5 de novembro de 2021, a Marvel Studios estreou Eternals, um dos filmes mais divididos da história dos super-heróis. Cinco anos depois, o debate ainda está vivo, provando que a obra deixou marcas profundas no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU).
Fato
Direto da vencedora do Oscar com Nomadland, a diretora Chloé Zhao assumiu o projeto com a intenção de abrir novos caminhos cósmicos para o MCU. O elenco contou com nomes de peso como Gemma Chan (Sersi), Richard Madden (Ikaris), Angelina Jolie (Thena), Salma Hayek (Ajak) e Kumail Nanjiani (Kingo). O filme narra a história de uma raça de seres extraterrestres que viveu em segredo na Terra por milênios, até ser forçada a enfrentar os Deviants, inimigos ancestrais da humanidade.
Apesar da expectativa, Eternals recebeu uma avaliação de rotten no Rotten Tomatoes, com menos de 60% de críticas positivas, e arrecadou cerca de US$ 402 milhões mundialmente – números considerados baixos para os padrões da Marvel.
Contexto: por que importa
Até então, o MCU mantinha uma reputação quase imbatível tanto em bilheteria quanto em crítica. Filmes como Thor: The Dark World já mostravam que nem todos os lançamentos eram unanimidades, mas ainda assim a franquia permanecia como referência de sucesso garantido. Eternals quebrou esse paradigma ao provar que mesmo o maior estúdio de super-heróis pode errar ao tentar inovar.
O filme foi planejado como ponto de partida para uma nova fase do Multiverso, similar ao que Guardiões da Galáxia fez ao introduzir o lado cósmico da história. Porém, a recepção morna fez a Marvel repensar rapidamente seus planos, cancelando sequências e descartando arcos narrativos que já haviam sido insinuados, como a aparição de Kit Harington como o Cavaleiro Negro ou a introdução de Mahershala Ali como Blade.
Essas mudanças tiveram reflexos nas produções subsequentes, forçando a editora a ajustar o cronograma do Multiverso e a priorizar projetos com maior apelo imediato, como Shang‑Chi e a Lenda dos Dez Anéis.
Reação dos fãs/mercado
A divisão de opiniões foi imediata. Enquanto críticos apontavam para a ambição excessiva e a tonalidade instável, parte do público encontrou valor na proposta ousada e na representação diversificada. Comentários nas redes sociais ainda hoje revelam duas facções bem definidas:
- Defensores: elogiam a visão de Zhao, a cinematografia e a tentativa de expandir o universo de forma mais filosófica.
- Críticos: consideram o filme confuso, com excesso de personagens e falta de foco narrativo.
Essa polarização fez de Eternals um case de estudo para profissionais de marketing do entretenimento, que passaram a analisar como o "word of mouth" pode mudar o destino de um blockbuster, mesmo quando a marca por trás é tão poderosa quanto a Marvel.
Além disso, a presença de Harry Styles em uma cena pós‑créditos — interpretando Starfox — acabou se tornando um ponto de curiosidade entre os fãs, mas acabou sendo ofuscada pela falta de continuidade da franquia.
O que esperar
Com a chegada do quinto aniversário, a Marvel tem a oportunidade de revisitar o legado de Eternals de duas maneiras principais:
- Reavaliação no Disney+: a plataforma pode lançar um especial ou documentário que explore os bastidores, oferecendo explicações sobre as decisões criativas e os caminhos abandonados.
- Influência em futuros projetos: elementos como a mitologia dos Celestiais e a presença dos Deviants podem ser reaproveitados em séries ou filmes que ainda estejam em desenvolvimento, especialmente nas narrativas que abordam o Multiverso.
Para os colecionadores, os lançamentos em 4K, blu‑ray e DVD continuam disponíveis, permitindo que novos espectadores descubram o filme com qualidade superior.
Embora o futuro de uma sequência direta pareça improvável, a discussão gerada por Eternals permanece relevante, servindo como lembrete de que até os maiores estúdios precisam equilibrar inovação e expectativa do público.
Para ficar no radar
Se você acompanha o MCU, vale a pena revisitar Eternals antes de assistir às próximas fases do Multiverso. O filme oferece pistas sutis que podem se conectar a histórias futuras, especialmente nas cenas pós‑créditos que introduziram personagens como Starfox. Além disso, entender o porquê da reação tão dividida ajuda a contextualizar decisões criativas recentes da Marvel, como a ênfase em séries de streaming e o retorno de personagens clássicos.
Em resumo, Eternals não é apenas um capítulo controverso; é um ponto de inflexão que mostrou que o MCU tem limites e que a experimentação pode gerar tanto elogios quanto críticas. Acompanhar essa trajetória pode enriquecer sua experiência como fã e oferecer insights valiosos sobre a evolução do cinema de super‑heróis.


