TL;DR: End of Abyss junta a fórmula de Resident Evil com a vibe de Little Nightmares, criando um horror‑lite visualmente lindo, porém atrapalhado por mapa confuso e um sistema de munição que não ajuda a tensão.
FATO
O novo título da Section 9 Interactive, End of Abyss, chega ao PS5 como uma mistura inesperada: a jogabilidade de tiro e puzzles da trilogia original de Resident Evil se funde com a perspectiva e o design atmosférico de Little Nightmares. O jogador controla um técnico frágil guiado por um gigante em traje que parece um refrigerador armado, enquanto explora uma megastrutura decadente cheia de criaturas grotescas e corredores iluminados por tons de azul frio.
O visual é um dos pontos altos – sombras bem trabalhadas, iluminação que realça cada detalhe de concreto corroído e tecnologia futurista. A estética lembra as obras de Simon Stålenhag, o que faz sentido considerando a origem sueca da desenvolvedora.
Apesar da boa impressão inicial, o jogo tropeça em dois grandes problemas: um mapa que mais parece um labirinto de papelão e um sistema de munição que elimina a sensação de escassez típica de survival horror.
Contexto: por que importa
Nos últimos anos, vimos um renascimento de títulos que homenageiam o horror dos anos 90, como Signalis e Crow Country. End of Abyss tenta ir além, combinando duas franquias que, até então, nunca foram misturadas. Essa ousadia tem potencial para abrir novos caminhos no gênero, mostrando que é possível fundir a tensão de um survival horror clássico com a narrativa visual de um platformer cinematográfico.
Além disso, a Section 9 Interactive tem recebido atenção por seus projetos ambiciosos. Se conseguir superar os problemas apontados, pode consolidar sua reputação como inovadora dentro da cena indie, atraindo tanto fãs de jogos de terror quanto de experiências mais artísticas.
Do ponto de vista de mercado, o título chega em um período de alta demanda por jogos de Halloween, o que pode impulsionar vendas mesmo que a experiência não seja perfeita. A estratégia de publicar o jogo via Epic Games Publishing garante boa visibilidade nas plataformas digitais.
Reação dos fas/mercado
Os primeiros streams mostraram reações mistas. Muitos elogiaram o design de ambientes – a combinação de concreto envelhecido com tecnologia futurista cria uma atmosfera única que lembra os melhores momentos de Resident Evil e Little Nightmares. Por outro lado, a comunidade apontou duas queixas recorrentes:
- Mapa confuso: a UI apresenta ícones que não correspondem ao que o jogador vê, portas rotuladas incorretamente e caminhos que desaparecem da tela, forçando “troteios” intermináveis.
- Sistema de munição: a pistola tem munição infinita, enquanto o armamento especial exige compra com a mesma moeda usada para upgrades, tornando a escolha de gastar recursos quase inexistente.
Críticos de sites como ComicBook.com deram nota 3,5 de 5, destacando a originalidade visual, mas criticando a falta de tensão e os bugs que ainda persistem. Comentários nas redes sociais frequentemente citam memes do tipo “quando o mapa te trai mais que seu ex” para ilustrar a frustração.
Do ponto de vista comercial, as primeiras semanas de vendas foram discretas, mas a presença de um trailer bem produzido e a curiosidade sobre a fusão de duas franquias icônicas mantêm o título no radar dos streamers.
O que esperar
Os desenvolvedores já prometeram patches que corrigirão os problemas de mapa e eliminarão os bugs de áudio e crashes. Enquanto isso, a experiência ainda oferece:
- Combate ágil com controle dual‑stick que permite esquivar e atirar de forma fluida.
- Sequências de boss que exigem movimentação constante e uso estratégico de “roll” para evitar projéteis radioativos.
- Um storytelling ambiental que, embora lento, vai se revelando conforme o jogador coleta notas e ativa terminais.
Se a Section 9 conseguir equilibrar a escassez de recursos e melhorar a navegação, End of Abyss tem tudo para se tornar um cult clássico, especialmente entre quem curte jogos que misturam nostalgia e inovação.
Para ficar no radar
Fique de olho nas atualizações da Section 9 Interactive – eles já anunciaram que um patch de correção de mapa deve chegar nas próximas semanas. Enquanto isso, vale a pena conferir o DLC gratuito que traz um novo segmento de história, ampliando o universo do jogo e oferecendo mais oportunidades de exploração.
Se você ainda não jogou, dê uma chance ao título nas plataformas digitais. A experiência visual compensa as falhas técnicas, e quem sabe a próxima atualização não transforma o que hoje parece “beta eterno” em um dos melhores híbridos de horror e plataforma dos últimos tempos?


