A Embracer Group está finalmente admitindo que não sabe o que fazer com suas franquias?
A resposta curta é sim, e o desespero financeiro da companhia é o principal motor dessa decisão. Após anos acumulando estúdios e propriedades intelectuais como quem coleciona figurinhas sem critério, a Embracer Group — a holding sueca que se tornou a maior compradora de estúdios da última década — finalmente admitiu que não tem braço (ou interesse) para manter todos os seus brinquedos funcionando. Em uma carta aberta aos investidores, o CEO Lars Wingefors confirmou que a empresa vai explorar o licenciamento de nomes de peso para parceiros externos.
O movimento faz parte da reestruturação da holding, que agora se divide em entidades menores, incluindo a recém-formada Fellowship Entertainment. Enquanto a empresa tenta organizar a casa, o destino de séries cult como Deus Ex (a icônica franquia de RPG de ação e simulação imersiva), Saints Row (a série de ação caótica em mundo aberto) e TimeSplitters (o clássico shooter de tiro em primeira pessoa) fica pendurado por um fio. A promessa é de "explorar ativamente" parcerias, mas para o fã, isso soa como uma última tentativa de extrair valor de marcas que, sob o comando da Embracer, estavam apenas acumulando poeira.
O licenciamento externo é uma salvação ou o atestado de óbito?
A história da indústria de jogos nos ensina que o licenciamento de IPs para terceiros é uma faca de dois gumes. Por um lado, pode significar que estúdios apaixonados e competentes finalmente terão a chance de tocar projetos que a dona da marca ignorou por anos. Por outro, pode ser apenas uma forma de a Embracer lucrar com o nome da franquia em produtos de baixa qualidade ou adaptações televisivas que ignoram a essência do material original.
É importante notar que, no comunicado, a empresa menciona o braço de licenciamento da Dark Horse — uma gigante dos quadrinhos que agora pertence à Embracer — o que reforça a suspeita de que veremos muito mais filmes, séries e HQs do que jogos de videogame de alto orçamento. Se a estratégia for apenas transformar Deus Ex em uma série de streaming genérica, teremos perdido uma das poucas franquias de immersive sim que ainda tinham algo relevante a dizer sobre o futuro da tecnologia e da vigilância.
Quais franquias estão na mira da Embracer?
A lista de propriedades citadas pelo CEO é extensa e, francamente, um pouco deprimente de se ver reunida como um "catálogo de vendas". Além dos nomes já citados, a empresa parece disposta a negociar qualquer coisa que não seja Tomb Raider ou The Lord of the Rings, que eles tratam como pilares de sua estratégia de transmedia.
- Deus Ex: A joia da coroa dos RPGs cyberpunk, parada desde Mankind Divided.
- Saints Row: Uma franquia que precisa desesperadamente de um reboot de qualidade após o fracasso do último título.
- TimeSplitters: O shooter que definiu uma geração de consoles e que clama por um retorno moderno.
- Thief: O precursor dos jogos de furtividade que merece um tratamento digno de um sucessor espiritual.
- Red Faction: Conhecida pela destruição de cenários, um recurso que ainda é subutilizado em jogos modernos.
O que isso significa para o futuro das franquias?
Se você é um purista, a notícia é agridoce. A Embracer provou que não tem interesse em manter estúdios focados em projetos de médio porte ou em reviver glórias do passado se o retorno financeiro não for imediato e astronômico. Ao "emprestar" essas marcas, a empresa se livra do custo de desenvolvimento e manutenção, enquanto mantém o direito sobre o lucro das licenças. É um modelo de negócio eficiente para eles, mas perigoso para a preservação cultural dos jogos.
A aposta da redação é que veremos uma enxurrada de anúncios de "parcerias de licenciamento" nos próximos 24 meses, mas a maioria resultará em remasters preguiçosos ou jogos mobile focados em microtransações, em vez de sequências AAA que honrem o legado desses nomes.
Onde isso pode dar
- O cenário otimista: Estúdios independentes talentosos conseguem licenças baratas e entregam projetos de paixão que revitalizam o interesse do público, forçando a Embracer a reinvestir nas franquias.
- O cenário realista: As marcas são diluídas em produtos licenciados de baixa qualidade, perdendo o valor de mercado e tornando-se apenas nomes genéricos em catálogos de streaming.
- O cenário pessimista: A Embracer continua a fatiar seus ativos até que não reste nada, transformando o portfólio em um cemitério corporativo de IPs que ninguém mais tem coragem de tocar.


