O que é a Fellowship Entertainment e por que a Embracer está se dividindo?
A Embracer Group — conglomerado sueco que se tornou um dos maiores detentores de propriedades intelectuais (IPs) do mundo — anunciou uma reestruturação drástica. A empresa pretende criar uma nova publisher chamada Fellowship Entertainment, focada exclusivamente em gerir seus ativos de alto valor, como tomb raider (a icônica franquia de aventura da Crystal Dynamics) e o universo de o senhor dos anéis (sob o selo Middle-earth Enterprises). A ideia é que, até 2027, essa nova entidade opere como uma empresa independente, dedicada a maximizar o potencial dessas marcas que, convenhamos, estavam sendo mal aproveitadas sob a gestão caótica da holding principal.
Essa estratégia não é inédita no mercado. A Ubisoft, gigante francesa responsável por Assassin's Creed, tomou um caminho similar recentemente ao formar a Vantage Studios para concentrar seus maiores projetos. Para o jogador, isso cheira a uma tentativa desesperada de organizar a casa após anos de aquisições desenfreadas que deixaram a Embracer com uma dívida colossal e muitos estúdios sem rumo.
Quais estúdios e franquias farão parte da nova publisher?
A lista de talentos sob o guarda-chuva da Fellowship Entertainment é impressionante, reunindo nomes que foram adquiridos pela Embracer ao longo dos últimos anos. A intenção é consolidar a operação, tirando o peso administrativo das costas dos desenvolvedores e focando na entrega de produtos AAA. Entre os estúdios e IPs confirmados, temos:
- Estúdios: Crystal Dynamics, 4A Games, Dambuster Studios, Eidos-Montréal, Warhorse Studios, Gunfire Games, entre outros.
- Franquias: Tomb Raider, The Lord of the Rings (incluindo the hobbit), metro, Kingdom Come: Deliverance, darksiders, dead island e remnant.
É uma seleção de peso. Por exemplo, a 4A Games (criadora da série Metro) e a Eidos-Montréal (de Deus Ex e Guardians of the Galaxy) são estúdios de primeira linha que, sob a gestão correta, podem finalmente entregar os sucessores que os fãs tanto esperam. A consolidação parece uma tentativa de tornar esses estúdios mais eficientes, mas a pergunta que fica é: será que a burocracia corporativa não vai sufocar a criatividade que esses times ainda possuem?
A separação é uma boa notícia para os fãs ou apenas burocracia?
O mercado de games está saturado de corporativismo. De um lado, temos o argumento de que separar as grandes IPs em uma empresa focada é o único caminho para garantir que jogos como o novo título de O Senhor dos Anéis recebam o orçamento e a atenção necessários. A Embracer, como holding, provou ser incompetente para gerir tantos estúdios simultaneamente; talvez uma estrutura enxuta e focada em menos projetos, mas de maior qualidade, seja a salvação.
Por outro lado, o histórico da Embracer é repleto de demissões em massa e cancelamentos de projetos promissores. Ver nomes como a Eidos-Montréal e a Crystal Dynamics sendo movidos de um lado para o outro como peças de xadrez financeiro causa um frio na espinha. A Fellowship Entertainment terá o desafio de provar que não é apenas uma manobra contábil para atrair investidores, mas sim um lar real para desenvolvedores que desejam criar experiências memoráveis.
Onde isso pode dar?
A aposta da redação é que a Embracer está tentando se tornar mais atraente para uma possível aquisição ou, no mínimo, limpar seu balanço financeiro para sobreviver aos próximos anos. O sucesso da Fellowship Entertainment dependerá inteiramente da autonomia que esses estúdios terão. Se a nova publisher for apenas uma camada extra de gerentes cobrando prazos impossíveis, o resultado será o mesmo de sempre: jogos lançados pela metade e estúdios fechados.
Por enquanto, o que nos resta é observar. A separação só deve se concretizar plenamente em 2027, o que significa que ainda temos muito tempo de incerteza pela frente. Se você é fã de Tomb Raider ou espera ansiosamente por um bom jogo de O Senhor dos Anéis, o melhor é manter as expectativas baixas. A indústria nos ensinou que, quando uma empresa muda de nome ou de estrutura, o que importa não é o organograma, mas sim quem está segurando a caneta que aprova os orçamentos de desenvolvimento.


