Por que a maioria da Bethesda queria Elder Scrolls 6 antes de starfield?
TL;DR: Depois de concluir Fallout 4, a equipe de desenvolvimento da Bethesda já tinha o roteiro do próximo Elder Scrolls pronto, mas Todd Howard decidiu virar a nave para o espaço e lançar Starfield, surpreendendo quem já estava na fila para Tamriel.
O relato vem de Kurt Kuhlmann, co‑lead de skyrim, que contou à FRVR como foi o choque ao ouvir a mudança de direção. Ele afirma que a maioria dos devs já estava mentalmente preparada para retomar a saga dos elfos e dragões, mas acabou sendo arrastada para um projeto de ficção científica que, segundo ele, nem todos abraçaram com a mesma empolgação.
Top 7 razões que fizeram a equipe preferir Elder Scrolls 6
- Continuidade natural da série. Skyrim saiu em 2011, e a sequência lógica seria Elder Scrolls 6, mantendo a mesma engine e a base de fãs faminta por mais exploração em Tamriel.
- Domínio técnico já estabelecido. A equipe já dominava a creation engine aprimorada, o que reduziria riscos e custos de desenvolvimento comparado a um motor totalmente novo para Starfield.
- Expectativa do público. As comunidades de Reddit e fóruns estavam cheias de teorias e contagem regressiva para o próximo grande título da franquia, gerando hype garantido.
- Experiência prévia com RPGs de mundo aberto. Depois de Fallout 4, a Bethesda tinha um pipeline sólido para quests, facções e sistemas de loot, tudo pronto para ser reaproveitado.
- Menor curva de aprendizado. Os designers já conheciam as mecânicas de magia, combate corpo‑a‑corpo e progressão de personagem que definem Elder Scrolls, evitando a necessidade de reinventar tudo.
- Pressão de investidores. A zenimax (controladora da Bethesda) sempre destacou Elder Scrolls como um dos pilares de receita, o que tornava o projeto financeiramente seguro.
- Motivação da equipe. Kuhlmann mesmo disse que a maioria queria “o que a maioria das pessoas queria fazer”, indicando um clima de entusiasmo que poderia ter impulsionado a qualidade final.
Esses pontos explicam por que a mudança para Starfield foi tão controversa. Enquanto alguns enxergavam a oportunidade de abrir um novo universo, outros viam um desvio da missão original e um risco desnecessário.
Como Todd Howard virou a nave para Starfield
Howard, conhecido por seu entusiasmo quase infantil por projetos ambiciosos, começou a falar sobre “explorar um novo cosmos” logo após o lançamento de Fallout 4. Ele descreveu a decisão como um impulso de oportunidade: “Se não agora, quando? Poderia ser nunca.” Essa frase virou meme interno, mas também revela a lógica de urgência que guiou a mudança.
Além do discurso, Howard trouxe apoio da alta direção da ZeniMax, que via no espaço um mercado ainda pouco explorado pelos concorrentes. A promessa de criar o primeiro RPG espacial da Bethesda foi suficiente para garantir recursos e equipe, ainda que isso significasse pausar o tão aguardado Elder Scrolls 6.
Reação da comunidade interna
Kuhlmann descreve a reação como um “choque de realidade”. Ele lembra que, ao ser informado, a equipe sentiu que o projeto de Starfield era imposto de cima, sem consulta prévia. O sentimento geral foi de frustração, mas também de resignação – afinal, a cultura da Bethesda sempre foi de aceitar a palavra de Howard como lei.
“Não era tipo ‘todos queremos fazer esse jogo espacial’, era mais ‘adivinhem, equipe, vamos fazer esse jogo espacial’.” – Kurt Kuhlmann
Alguns devs tentaram adaptar suas ideias de design para o novo cenário, mas o ajuste de mindset foi complicado. O que antes seria uma missão de criar um continente cheio de masmorras virou a necessidade de inventar planetas, gravidade zero e tecnologias futuristas.
Impacto no futuro de Elder Scrolls 6
O atraso causado por Starfield pode ter repercussões ainda não totalmente percebidas. A expectativa dos fãs não diminuiu, e a pressão por um lançamento “à altura de Skyrim” só aumentou. Por outro lado, a experiência com Starfield pode ter trazido aprendizados técnicos que, eventualmente, serão reaplicados em Elder Scrolls 6.
- Novas ferramentas de renderização desenvolvidas para o espaço podem melhorar a iluminação em Tamriel.
- O motor de física aprimorado para gravidade zero pode inspirar mecânicas de voo em dragões.
- O feedback negativo de Starfield pode servir de lição para equilibrar ambição e execução.
Em resumo, a jornada interplanetária de Bethesda acabou sendo um desvio inesperado, mas que pode, a longo prazo, beneficiar o próximo Elder Scrolls.
O ranking pode mudar
Embora a lista acima reflita as razões mais citadas por Kuhlmann e analistas da indústria, o cenário está em constante evolução. Novas informações sobre o desenvolvimento interno, entrevistas adicionais ou até mesmo mudanças de liderança podem reposicionar esses fatores.
Por enquanto, a maioria dos desenvolvedores ainda acredita que Elder Scrolls 6 seria o próximo grande marco da Bethesda, e que Starfield foi, em grande parte, uma decisão impulsiva de Todd Howard. Resta aguardar o próximo anúncio oficial para ver se a saga dos elfos volta ao centro dos holofotes ou se o espaço continuará a dominar a agenda da empresa.


