Em 11 de agosto, mergulhadores da Marinha Romênia detonaram dois drones de origem russa que flutuavam próximo ao Neptun Deep, o maior projeto de gás offshore da União Europeia. O incidente, divulgado pelo ministro da Defesa Radu Miruță, mostra uma mudança de postura: ao invés de depender exclusivamente de interceptação aérea, a Romênia recorreu a explosivos subaquáticos para neutralizar a ameaça.
Qual foi o procedimento adotado pelos mergulhadores?
Os soldados da equipe de desativação de explosivos (EOD) foram embarcados em um navio da guarda costeira que já patrulhava a região. Ao localizar os drones do tipo Gerbera — reconhecidos como equipamento de vigilância russo —, os mergulhadores posicionaram cargas de demolição ao redor das embarcações não tripuladas. A explosão foi acionada remotamente, resultando na destruição total dos drones e na dispersão dos detritos.
Como a Romênia tem lidado com incursões aéreas de drones?
Historicamente, a resposta da Romênia tem sido a interceptação por caças de combate. Desde 2022, o país gastou recursos significativos para derrubar drones que violam seu espaço aéreo, inclusive em incidentes que causaram danos a propriedades civis. Em maio, um drone Geran‑2 carregado de explosivos atingiu um prédio residencial, ferindo duas pessoas e obrigando a evacuação de 70 residentes. Em outra ocasião, o ataque danificou uma oficina e um poste elétrico, forçando a retirada de mais de 500 pessoas.
Comparativo: explosivos subaquáticos vs interceptação aérea
| Critério | Explosivos Subaquáticos | Interceptação Aérea |
|---|---|---|
| Tempo de resposta | Algumas horas, depende da presença de navios de apoio | Minutos, se caças estiverem em patrulha |
| Custo operacional | Baixo a moderado (cargas explosivas e equipe de mergulho) | Alto (combustível, manutenção de caças, salários) |
| Risco colateral | Limitado ao ambiente marítimo; risco de poluição por detritos | Possível queda de destroços em áreas civis ou marítimas |
| Eficácia contra alvos não tripulados | >Alta – destruição completa do drone | Variável – depende da altitude e da velocidade do alvo |
| Dependência de apoio internacional | Necessária para confirmação de origem (ex.: Ucrânia) | Menor, embora coordenação OTAN seja comum |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para autoridades que priorizam a preservação de infraestrutura marítima, a abordagem de explosivos subaquáticos oferece controle preciso e minimiza riscos de queda de destroços sobre áreas costeiras. Já para unidades militares que precisam de respostas rápidas a ameaças aéreas, a interceptação por caças continua sendo a opção mais ágil, apesar do custo elevado.
O caso do Neptun Deep demonstra que a Romênia está diversificando suas ferramentas de defesa, combinando operações marítimas com a tradicional capacidade aérea. Essa estratégia híbrida pode servir de modelo para outros países da OTAN que enfrentam ameaças semelhantes no Mar Negro e no Báltico.
Para ficar no radar
O incidente reforça a necessidade de monitoramento contínuo das rotas marítimas próximas a ativos críticos de energia. Também evidencia a importância da cooperação entre Romênia e Ucrânia na identificação de sistemas de origem russa. Enquanto a guerra na Ucrânia continua, incidentes como este tendem a se multiplicar, exigindo respostas adaptáveis e custo‑efetivas.
Os próximos passos incluem a avaliação de protocolos de desativação rápida e a possível ampliação de unidades EOD nas forças armadas romenas. A integração de sensores marítimos avançados pode ainda antecipar a presença de drones antes que eles atinjam áreas sensíveis.


