O que aconteceu
A espera por novidades de Dragon Quest XII — o próximo capítulo da lendária franquia de RPG da Square Enix — finalmente terminou, mas não da forma que os fãs esperavam. Durante a celebração dos 40 anos da série, a desenvolvedora japonesa revelou que o projeto agora se chama Dragon Quest XII: Beyond Dreams. Mais do que uma simples troca de nome, a empresa confirmou o que muitos temiam: o jogo passou por um reboot completo no desenvolvimento.
O anúncio veio acompanhado de um breve teaser que mostra um protagonista jovem lidando com visões estranhas durante o sono. Yuji Horii, o lendário designer e criador da franquia, afirmou que o novo subtítulo reflete uma direção mais otimista, focada em um "futuro brilhante e empolgante", distanciando-se drasticamente da proposta original que havia sido apresentada cinco anos atrás.
Como chegamos aqui
Para entender o tamanho da reviravolta, precisamos voltar a 2021. Na época, Dragon Quest XII foi anunciado com o subtítulo The Flames of Fate. A promessa de Horii era clara: um jogo mais "adulto", focado na questão existencial "por que as pessoas vivem?" e com uma atmosfera visivelmente mais sombria. Era uma tentativa clara de evoluir a série para um público que cresceu com as aventuras clássicas.
No entanto, a realidade do desenvolvimento foi cruel. Yosuke Saito, produtor executivo, admitiu que a equipe enfrentou inúmeros obstáculos que tornaram a visão original inviável ou insustentável. Após conversas internas, a decisão foi drástica: descartar o que havia sido feito e recomeçar do zero. Esse processo de "limpar a mesa" explica o hiato de cinco anos sem notícias concretas e o porquê de ainda não termos uma janela de lançamento ou plataformas definidas.
A mudança de tom é, no mínimo, curiosa:
- Fase 2021 (The Flames of Fate): Foco em temas maduros, tom sombrio e questionamentos existenciais profundos.
- Fase 2026 (Beyond Dreams): Foco em esperança, mundos além dos sonhos e uma estética que busca ser menos "pesada".
Apesar do reboot, a Square Enix garantiu que o legado será respeitado. O jogo contará com os designs de personagens do saudoso Akira Toriyama — o mestre por trás de dragon ball que faleceu em 2024 — e a trilha sonora do icônico Koichi Sugiyama. Manter esses pilares é uma tentativa de ancorar a nostalgia, mesmo que o sistema de combate, outrora baseado em menus clássicos, deva sofrer alterações para se modernizar.
O que vem depois
A grande pergunta que fica no ar é: será que a Square Enix está perdida? Reiniciar um jogo desse porte após cinco anos de produção é um sinal de alerta vermelho para qualquer estúdio, mesmo para uma gigante como a Square Enix. Por um lado, mostra coragem em não lançar um produto que não atenda às expectativas dos criadores; por outro, levanta dúvidas sobre a gestão interna da empresa.
O fato de não termos plataformas confirmadas também é um ponto de atenção. Estaríamos falando de um título cross-gen ou de uma aposta exclusiva para o sucessor do switch ou próximos consoles da Sony? Dado o histórico da franquia, é provável que a Square busque o maior alcance possível, mas o silêncio sobre o hardware deixa o mercado especulando sobre o nível gráfico e a escala desse novo projeto.
O lado que ninguém tá vendo
A aposta da redação é que este reboot seja, na verdade, uma tentativa de salvar a alma da franquia. O mercado de RPGs mudou drasticamente desde 2021, com o sucesso de títulos como Elden Ring e o próprio Final Fantasy VII Rebirth. Tentar fazer um Dragon Quest "sombrio e adulto" poderia soar como uma cópia barata de tendências ocidentais, perdendo a essência lúdica que define a série.
Ao pivotar para Beyond Dreams, a Square Enix parece estar tentando reencontrar o equilíbrio entre o frescor da modernidade e o conforto do clássico. Se eles vão conseguir entregar isso sem que o jogo pareça datado ou sem identidade, só o tempo dirá. Por enquanto, o que nos resta é observar se a promessa de um "futuro brilhante" não é apenas um eufemismo para um projeto que ainda está encontrando seu próprio caminho no escuro.


