A DJI colocou no mercado o Romo 2, segunda geração de seu robô aspirador que promete subir degraus de até dois centímetros, operar com ruído reduzido e — o ponto mais sensível — processar dados de navegação e câmera apenas no dispositivo, sem nuvem obrigatória. O anúncio chega meses após o modelo original ser exposto com falhas que permitiam acesso remoto à câmera e controle do aparelho via MQTT sem autenticação.
O que aconteceu
A fabricante chinesa, conhecida por drones e estabilizadores, apresentou a linha Romo 2 com três pilares de marketing: sucção mais forte, navegação que vence soleiras e tapetes altos, e um modo "local-only" que mantém mapas, imagens e logs dentro do próprio robô. O comunicado oficial não detalha especificações técnicas como potência em pascals, autonomia em metros quadrados ou nível de ruído em decibéis — números que a DJI costuma divulgar para drones, mas omitiu aqui.
O recurso de escalada de obstáculos é a novidade física mais visível: o conjunto de rodas e suspensão foi redesenhado para transpor desníveis que travavam a geração anterior. Em demonstrações controladas, o aparelho sobe degraus de entrada de banheiro e bordas de tapete grosso sem travar. A promessa de silêncio aparece como "mais silencioso que o modelo anterior", sem referência comparativa objetiva.
Como chegamos aqui
O primeiro Romo estreou com a proposta de unir navegação visual avançada — herdada da expertise da DJI em visão computacional para drones — a um aspirador robô premium. O problema apareceu quando pesquisadores de segurança descobriram que o protocolo MQTT usado para comunicação interna expunha a câmera frontal e permitia comandos de movimento sem senha. Qualquer pessoa na mesma rede, ou com acesso ao broker exposto, podia vigiar a casa e pilotar o robô.
A falha não era teórica: houve demonstrações públicas de acesso remoto à câmera em tempo real. A DJI lançou correções de firmware, mas a arquitetura dependia de nuvem para funções básicas, o que manteve a superfície de ataque ampla. A confiança do público técnico — justamente o alvo de um produto "pro" — ficou abalada. Fóruns de automação residencial e comunidades de privacidade digital passaram a recomendar bloqueio do dispositivo no firewall ou descarte.
O que vem depois
O modo local do Romo 2 é a resposta direta: mapas, reconhecimento de objetos e streaming de câmera ficam no processador embarcado. A nuvem passa a ser opcional, usada só para atualizações de firmware e integração com app fora de casa — se o usuário autorizar. Na prática, isso reduz a superfície de ataque, mas não elimina riscos: vulnerabilidades no stack de rede local, falhas no app móvel ou backdoors no firmware ainda são possíveis.
Outros pontos que a DJI não esclareceu:
- Se o modo local funciona 100% offline ou exige ativação inicial na nuvem
- Qual processador roda a visão computacional e se recebe atualizações de modelo de IA
- Política de retenção de logs locais e se há telemetria oculta
- Preço e disponibilidade no Brasil — o modelo anterior não teve lançamento oficial por aqui
Para quem já tem o Romo original, a DJI prometeu atualização de firmware trazendo parte das melhorias de navegação, mas a arquitetura de nuvem permanece. A escalada de degraus depende de hardware novo e não virá por software.
O que falta saber antes de comprar
A aposta da redação: o Romo 2 só vale a pena se auditorias independentes confirmarem que o modo local é genuíneo e sem vazamentos laterais. Histórico da DJI em drones mostra boa engenharia, mas resposta a incidentes de segurança costuma ser lenta e pouco transparente. Quem precisa de aspirador robô hoje e não quer apostar em promessas encontra no mercado opções com Home Assistant nativo, sem nuvem, e histórico de código aberto — como modelos da dreame ou Roborock com firmware Valetudo. O Romo 2 entra na lista de "observar por seis meses" antes de recomendar.


