Denshattack! chegou às lojas em 15 de julho para PC, consoles de última geração e switch 2, trazendo uma proposta de ação sobre trilhos que combina parkour e corridas de trem. Em entrevista exclusiva, o compositor Tee Lopes explicou como transformou a ideia de "estação de trem" em uma trilha sonora que mistura ruídos industriais, instrumentos tradicionais japoneses e energia de esportes radicais. O resultado são 80 faixas que, apesar da variedade, mantêm uma identidade sonora única.
O que aconteceu
A parceria entre a Fireshine Games (publicadora) e o estúdio espanhol indie Undercoders resultou em Denshattack!, um jogo que leva o jogador a percorrer estágios inspirados em locais reais do Japão, de Kyushu a Hokkaido. O desafio musical foi entregue a Tee Lopes, conhecido por trabalhos em reverências retro e títulos da Sega, que recebeu o convite após se encantar com o conceito “cheio de ideias loucas”. Lopes descreve a experiência como “uma das favoritas” da sua carreira, destacando a liberdade criativa e a energia contagiante da equipe.
Para compor, Lopes contou com a colaboração de amigos como Andrew One, Sean Bialo, Toni Leys e Jonny Atma, além de artistas japoneses como Ryo Nagamatsu e Harumi Fujita. A participação de Nagamatsu marcou sua primeira incursão em cantar em um tema de videogame, enquanto Fujita trouxe sua experiência clássica de compositora de jogos. O processo colaborativo acabou gerando um catálogo de 80 faixas, das quais Lopes escreveu pessoalmente 25, além de cerca de 35 peças para cutscenes.
Como chegamos aqui
O ponto de partida da trilha foi a metáfora de transformar uma estação de trem em música. Lopes visualizou “pedras sujas, trilhos enferrujados, fumaça, graffiti e multidões”, traduzindo esses elementos em texturas distorcidas, samples de hip‑hop e ruídos de trem gravados ao vivo. Essa base sonora foi então misturada com gêneros ligados à adrenalina – punk, drum‑and‑bass, garage e house – que já costumam acompanhar esportes radicais como skate e parkour.
Além da estética urbana, Lopes incorporou influências japonesas que fazem parte da sua formação musical desde a infância. Ele citou videogames, animes, Super Sentai e filmes japoneses como referências iniciais, evoluindo para estilos como city‑pop e fusões contemporâneas. Quando a trilha exigia um toque mais tradicional, ele recorreu a instrumentos como:
- taiko (tambor tradicional)
- shakuhachi (flauta de bambu)
- koto (instrumento de cordas)
- shamisen (alaúde de três cordas)
Um exemplo notável é a faixa “Gozan No Okuribi”, inspirada no festival de Kyoto. Lopes pesquisou a cerimônia, incorporou ritmos e sons típicos, e até mesmo gravou seu próprio rap em japonês após a desistência de rappers locais. Essa mistura de pesquisa cultural e improvisação destaca a abordagem híbrida que permeia todo o álbum.
O trabalho com a Sega ao longo de quase uma década – incluindo Sonic, Streets of Rage 4 DLC, Monster Boy e Contra – também influenciou a linguagem harmônica de Lopes. Ele observa que os jogos japoneses costumam explorar progressões de acordes mais ousadas, melodias marcantes e instrumentação diversa, contrastando com a tendência ocidental de focar em rock e estruturas mais simples. Essa bagagem ajudou a moldar a identidade sonora de Denshattack!, que busca ser “radical, urbana, suja e grunge”.
O que vem depois
Com o lançamento já disponível nas principais plataformas, a trilha de Denshattack! já está nas lojas de música digital, permitindo que fãs escutem as faixas fora do jogo. Lopes indica que a colaboração com músicos japoneses abriu portas para futuros projetos envolvendo vocalizações em japonês, algo que ele ainda não havia experimentado.
Para a comunidade de compositores indie, o caso de Denshattack! serve como exemplo de como um projeto pode ganhar profundidade ao combinar referências culturais autênticas com experimentação sonora. A estratégia de incluir artistas externos gerou um álbum coeso apesar da variedade de estilos, mostrando que a curadoria de um “DNA” musical – no caso, a atmosfera de estação de trem – pode ser o fio condutor que mantém tudo unido.
Os desenvolvedores ainda não anunciaram DLCs ou expansões, mas a receptividade da trilha pode influenciar futuras atualizações, talvez com novas faixas que explorem outras regiões do Japão ou até mesmo colaborações com artistas de outros países. Enquanto isso, a comunidade de jogadores tem compartilhado vídeos de gameplay sincronizados com a música, reforçando a conexão entre a jogabilidade frenética e a batida pulsante da trilha.
Para ficar no radar
Se você ainda não experimentou Denshattack!, vale a pena conferir tanto o jogo quanto o álbum de 80 faixas. A experiência sonora oferece uma imersão única que vai além do simples “background music”. Para quem curte trilhas que misturam tradição e modernidade, a obra de Tee Lopes demonstra que é possível criar algo familiar e ao mesmo tempo inovador.
Além disso, fique atento às redes sociais da Fireshine Games e da Undercoders; eles costumam divulgar eventos de streaming, podcasts com os compositores e, eventualmente, lançamentos de conteúdo adicional. A presença de nomes como Harumi Fujita e Ryo Nagamatsu indica que futuras colaborações podem surgir, talvez até em projetos fora do universo Denshattack!.


