O anime Delicious in Dungeon encerrou sua primeira temporada com um cliffhanger marcante: Laios e seu grupo bolaram um plano nada convencional para salvar Falin após sua alma se fundir ao dragão vermelho. A continuação já foi confirmada pelo Studio Trigger, mas só estreia em 2027 — ou seja, há um ano inteiro de espera pela frente.
O que aconteceu
A primeira temporada adaptou 52 dos 97 capítulos do mangá original de Ryoko Kui em 24 episódios, cobrindo o arco do Sexto Andar. A obra já foi finalizada no papel, o que dá segurança de que a história terá conclusão animada — desde que o estúdio mantenha o ritmo. O grande atrativo da série é a mistura inusitada de dungeon crawler clássico com culinária de monstros: sem dinheiro nem suprimentos, o grupo precisa cozinhar criaturas que enfrenta para sobreviver, transformando batalhas em banquetes.
Conforme a trama avança, o tom leve dá lugar a mistérios mais sombrios sobre a própria masmorra e seus segredos. Essa transição de "comédia gastronômica" para fantasia densa é parte do que conquistou o público e rendeu comparações com outros títulos que equilibram worldbuilding, sistema de poder e coração.
Como chegamos aqui
O mangá de Delicious in Dungeon foi serializado na revista Harta entre 2014 e 2023, acumulando fãs fiéis antes mesmo do anúncio do anime. A adaptação do Studio Trigger estreou em janeiro de 2024 e rapidamente se tornou um dos maiores sucessos de fantasia da década, elogiado pela animação fluida, design de criaturas inventivo e pela forma como trata a comida como elemento narrativo — não apenas fanservice visual.
O hiato até a segunda temporada é padrão para produções desse porte: o estúdio precisa de tempo para manter a qualidade, especialmente com a complexidade dos monstros e ambientes que virão nos arcos finais. Enquanto isso, a comunidade busca experiências semelhantes — não clones, mas obras que compartilhem DNA temático: exploração, culinária, construção de mundo e personagens carismáticos.
O que vem depois
Separamos três animes que preenchem bem esse vazio. Cada um acerta em um pilar diferente do que torna Delicious in Dungeon especial.
Frieren e a Jornada para o Além — fantasia madura e worldbuilding profundo
Produzido pelo estúdio Madhouse, Frieren: Beyond Journey's End acompanha uma elfa maga que, após derrotar o Rei Demônio ao lado de heróis humanos, parte em uma jornada para entender a humanidade que mal conhecia. A série estreou em 2023, já tem duas temporadas exibidas e a terceira chega em outubro de 2027 — mesma janela de Delicious in Dungeon.
Onde Delicious in Dungeon usa a culinária para explorar a biologia da masmorra, Frieren usa o tempo e a memória para dissecar o que significa viver séculos. O sistema de magia é técnico, as batalhas têm peso estratégico e o arco da "Terra Dourada" — adaptado na terceira temporada — expande o mapa político e místico do mundo. É a recomendação mais óbvia para quem quer fantasia séria, bonita e com final garantido.
Campfire Cooking in Another World with My Absurd Skill — isekai aconchegante com culinária central
Se o que você mais gosta em Delicious in Dungeon é ver monstros virando pratos elaborados, Campfire Cooking in Another World with My Absurd Skill (ou Tondemo Skill de Isekai Hourou Meshi) entrega exatamente isso — só que num pacote isekai mais leve. O protagonista, Tsuyoshi Mukoda, era um salaryman comum até ser invocado para outro mundo. Sua habilidade "absurda"? Um menu de compras online que funciona no novo mundo, permitindo comprar temperos, panelas e ingredientes modernos.
Animado pela MAPPA (mesmo estúdio de Jujutsu Kaisen e a temporada final de Attack on Titan), o anime brilha na animação dos pratos — suculentos, detalhados, quase táteis. Mukoda não é um lutador nato, mas sua capacidade de cozinhar atrai aliados poderosos, incluindo o lendário lobo Fenrir. A série tem segunda temporada confirmada e mantém o tom slice of life fantástico: perigoso quando precisa, mas focado no prazer de comer bem em companhia.
Toriko — o clássico shonen de caça gastronômica
Lançado em 2011 pelo estúdio Toei Animation, Toriko é anterior à onda atual de "fantasia culinária", mas define o gênero. O mundo entrou na "Era Gourmet": ingredientes raros valem fortunas, e caçadores especializados — os Bishokuya — arriscam a vida em vulcões, florestas venenosas e bestas colossais para colher o melhor sabor.
O protagonista, Toriko, é um desses caçadores lendários, famoso por ter descoberto 2% de todos os ingredientes conhecidos. Diferente de Delicious in Dungeon, o foco aqui é ação pura, power escalation shonen e criaturas em escala kaiju. Mas o DNA é o mesmo: a biologia do monstro dita o sabor, e a preparação exige conhecimento técnico. O anime tem 147 episódios e adapta boa parte do mangá de Mitsutoshi Shimabukuro (publicado na Weekly Shonen Jump). Vale pela criatividade dos biomas e pela escala épica — pense em One Piece encontra Iron Chef.
- Frieren — para quem quer fantasia adulta, mistério e tempo como tema central.
- Campfire Cooking — para quem quer conforto, pratos detalhados e protagonista carismático sem pretensão de herói.
- Toriko — para quem quer ação exagerada, worldbuilding selvagem e o avô do subgênero.
A escolha da redação
Se o tempo for curto, comece por Frieren: tem final anunciado, animação consistente e o mesmo apelo de "fantasia que respeita a inteligência do espectador". Campfire Cooking é a maratona mais leve — episódios de 23 minutos que passam voando e deixam fome real. Toriko exige compromisso (são quase 150 episódios), mas recompensa com um dos mundos mais imaginativos do shonen clássico.
Os três estão disponíveis em streaming no Brasil: Frieren na Crunchyroll, Campfire Cooking na Netflix e Toriko na Crunchyroll (legendado). Enquanto a segunda temporada de Delicious in Dungeon não chega, qualquer um deles mata a saudade de ver fantasia levar a culinária a sério.


