TL;DR: A DC tem cinco filmes em desenvolvimento após "clayface" e a sequência de superman, mas o desempenho desses lançamentos será decisivo para a continuidade da estratégia de James Gunn e Peter Safran.
O que aconteceu
No último ano, a DC Universe pareceu estar em alta. "Superman" arrecadou mais de US$ 600 milhões mundialmente, trazendo alívio ao público cansado da chamada Snyder‑verse. A aparição de supergirl, interpretada por Milly Alcock, prometia um contraponto bem‑humorado ao tom sério de David Corenswet como o Homem de Aço.
Entretanto, o otimismo foi curto. "Supergirl" fracassou nas bilheterias, fechando com cerca de US$ 126 milhões contra um orçamento que ultrapassou os US$ 170 milhões. A crítica foi morna (53% no Rotten Tomatoes) e o público deu nota B‑ no CinemaScore. Enquanto isso, "Clayface", dirigido por James Watkins, chegou aos cinemas com uma projeção de abertura entre US$ 23 e 33 milhões, um número respeitável frente ao seu orçamento de US$ 40 milhões. Paralelamente, a sequência de Superman, intitulada "Man of Tomorrow", está em pós‑produção.
Esses dois títulos são, até o momento, os únicos projetos concluídos da nova fase da DC, que agora responde diretamente a David Ellison, executivo da Warner Bros. após a fusão com a Paramount.
Como chegamos aqui
Um relatório da Deadline revelou que a DC tem cinco projetos em estágio inicial de desenvolvimento. São eles:
- The Brave and the Bold – parceria batman e robin, com Andy Muschietti na direção.
- Savage Hunters – duelo entre Deathstroke e Bane, possivelmente sob a batuta de Greg Mottola.
- teen titans – adaptação live‑action, roteiro de Ana Nogueira.
- swamp thing – primeira incursão de James Mangold ao universo de quadrinhos, desde "Logan".
- wonder woman – reboot escrito também por Ana Nogueira.
Todos ainda não receberam aprovação definitiva (green‑light) e alguns ainda carecem de diretor. A confiança de James Gunn e Peter Safran na direção criativa da DC parece estar em teste, já que Ellison tem histórico de priorizar propriedades intelectuais sobre projetos originais. Seu discurso público indica que ele pretende investir em IPs consolidadas, mas ainda não há garantias de que deixará a dupla Gunn/Safran operar sem interferência.
Outro ponto de tensão é a escolha de diretores. Enquanto Craig Gillespie foi considerado “trabalho de qualidade” para "Supergirl", James Watkins trouxe um visual estiloso para "Clayface". A presença de nomes como Andy Muschietti (conhecido por "It") e James Mangold (vencedor de Oscar por "Logan") eleva as expectativas, mas também aumenta a pressão por resultados comerciais.
O que vem depois
Se "Clayface" e "Man of Tomorrow" entregarem números sólidos, a DC terá capital para avançar com os projetos em desenvolvimento. O contrário pode levar a cortes orçamentários ou até a substituição da equipe criativa. A seguir, analisamos os prós e contras de cada um dos cinco títulos em pauta.
Prós
- The Brave and the Bold – O duo Batman/Robin tem apelo massivo; Muschietti demonstra habilidade em misturar horror e ação, o que pode renovar a fórmula do Cavaleiro das Trevas.
- Savage Hunters – Focar em vilões como Deathstroke e Bane abre espaço para narrativas mais sombrias, atraindo o público adulto que curte antologias de anti‑heróis.
- Teen Titans – Um time jovem pode captar a geração Z, especialmente se o tom for mais leve e humorístico, algo que falta nos últimos lançamentos da DC.
- Swamp Thing – Mangold tem histórico de dramas complexos; sua abordagem pode transformar o personagem em uma obra de referência, similar ao sucesso de "Logan".
- Wonder Woman – Um reboot bem‑feito pode recuperar a energia da primeira trilogia, especialmente com uma roteirista que já conhece o universo da DC.
Contras
- Dependência excessiva de nomes já consagrados pode limitar a inovação; o público está cansado de fórmulas repetitivas.
- Se os orçamentos forem inflacionados sem garantias de bilheteria, a Warner pode sofrer perdas significativas, como aconteceu com "Supergirl".
- Ellison pode intervir, substituindo Gunn e Safran por sua própria equipe, o que geraria um retrocesso na visão coesa que a DC tenta construir.
- A falta de green‑light deixa os projetos em limbo, prejudicando o calendário de lançamentos e a confiança dos talentos envolvidos.
Em suma, a DC está em uma encruzilhada. O sucesso de "Clayface" e "Man of Tomorrow" pode garantir a continuidade dos projetos anunciados, enquanto um desempenho fraco pode resultar em reestruturações drásticas. O que fica claro é que a franquia tem material rico e diretores talentosos; o que falta é a estabilidade de produção e um comprometimento firme da liderança executiva.
O lado que ninguém está vendo
O debate público costuma focar nas bilheterias, mas o verdadeiro ponto de inflexão está na relação entre David Ellison e a dupla criativa de Gunn e Safran. Ellison tem histórico de substituir executivos que não entregam resultados imediatos, e sua prioridade declarada por IPs pode significar cortes em projetos que ainda não provaram seu valor. Se ele decidir colocar seu próprio time no comando, a DC pode perder a coesão que está tentando estabelecer desde 2023.
Por outro lado, se a Warner mantiver a confiança em Gunn e Safran, a DC tem a chance de construir um universo cinematográfico mais consistente, com narrativas interligadas e personagens bem desenvolvidos. O próximo ano será decisivo: os números de "Clayface" e "Man of Tomorrow" vão ditar se a DC continuará a apostar em histórias ousadas ou se retornará ao caminho seguro de remakes e spin‑offs.


