Por que esses finais são lendários?
Qual foi o desfecho que mais impactou a história dos quadrinhos da DC? A resposta não é simples, mas cinco histórias se destacam ao fechar seus arcos com uma combinação rara de emoção, surpresa e significado duradouro. Cada uma delas redefiniu o que um final pode fazer por um universo inteiro, influenciando gerações de leitores e criadores.
- crisis on infinite earths (1985-86) – O grande reboot da DC encerrou a era dos múltiplos universos paralelos, reunindo heróis de cinco Terras diferentes para enfrentar o temível anti-monitor. O final surpreendeu ao deixar personagens icônicos como o superman da Terra‑Two morto, ao mesmo tempo que introduziu a ideia de um novo universo nascido da destruição. Essa mistura de perda irrevogável e esperança renovada ainda ecoa nas narrativas modernas, provando que um final pode ser tanto catártico quanto um ponto de partida.
- infinite crisis (2005-06) – Um retorno nostálgico ao espírito da crise original, mas com a ambição de fechar lacunas deixadas por duas décadas de histórias. Escrita por Geoff Johns e ilustrada por um time estelar, a saga culmina em uma batalha épica que deixa o Superman da Terra‑Two sem poderes e a Liga da Justiça temporariamente dissolvida. O ponto alto é a decisão da Trindade de buscar uma vida mais humana, mostrando que até os deuses precisam de pausa.
- all‑star superman (2005‑08) – Jeff Katz e Frank Miller reinventam os Doze Trabalhos de Hércules usando o Homem de Aço como protagonista. Quando o sol o sobrecarrega, Superman decide deixar um legado antes de morrer, enfrentando lex luthor e Solaris. O final, em que ele se sacrifica ao voar para o sol para restaurar sua luz, combina melancolia e esperança, deixando o leitor com a sensação de que o mito do Superman é eterno.
- the final night (1996) – Um evento de seis edições que coloca o planeta em risco quando um devorador solar apaga o Sol. Sem vilões maquiavélicos ou truques de trama, a história foca na vulnerabilidade dos heróis diante de uma catástrofe real. O clímax chega quando hal jordan, como Parallax, renasce e reacende o Sol, redimindo-se dos horrores de Zero Hour. O final oferece redenção pura e reforça a ideia de que o heroísmo pode surgir das sombras.
- Whatever Happened to the Man of Tomorrow? (1986) – Alan Moore, Curt Swan e George Pérez criam o último conto de Superman antes da crise, apresentando um futuro onde todos os inimigos clássicos se unem contra ele. O desfecho, com Superman sendo empurrado para a Zona Fantasma e perdendo seus poderes ao entrar em uma sala de Kriptônio dourado, termina com Lois Lane descrevendo uma vida simples e um filho transformando carvão em diamante. É um adeus poético que mistura fim e renascimento.
A escolha da redação
Defendemos que esses cinco finais são os pilares que sustentam a narrativa épica da DC. Cada um traz algo que poucos outros conseguem: Crisis on Infinite Earths mudou a estrutura do universo; Infinite Crisis mostrou que revisitar o passado pode gerar novas emoções; All‑Star Superman provou que um herói pode ser vulnerável sem perder a grandiosidade; The Final Night ensinou que o heroísmo nasce da necessidade; e Whatever Happened to the Man of Tomorrow? entregou o adeus definitivo com elegância literária.
Claro, há contra‑argumentos. Alguns leitores criticam o uso excessivo de reboots, alegando que eles diluem a continuidade. Outros apontam que finais tão grandiosos criam expectativas impossíveis para histórias futuras. Ainda assim, a capacidade dessas obras de permanecer relevantes após décadas demonstra que um final bem escrito pode transcender seu próprio tempo.
Em última análise, a força desses desfechos está em como eles equilibram a perda com a promessa de novos começos. Eles não apenas encerram histórias; eles plantam sementes para o futuro da DC, garantindo que cada geração encontre algo para se emocionar.


