Children of Belgrade Metro chegou ao Steam em setembro de 2020 como uma visual novel indie que combina suspense psíquico e drama de jovens excluídos no metrô abandonado de Belgrado.
O que aconteceu
O jogo apresenta um cenário distópico ambientado em Belgrado, capital da Sérvia, onde, em um futuro não especificado (20XX), a existência de indivíduos com habilidades psíquicas foi descoberta. O governo respondeu com uma lei que criminaliza o uso desses poderes, criando um ambiente de perseguição. Dez anos depois, Cyzki, um adolescente sem poderes que acabou de se mudar para a cidade, foge de casa e se perde nas ruínas do metrô inacabado, transformado em refúgio para os marginalizados.
Dentro desse subsolo, uma corporação chamada Golden Dawn controla a caça aos psíquicos, enquanto diferentes personagens – Dejan (psicocinese), Mariya (filha de um magnata), Nedelka (pertencente a uma minoria étnica) – convivem com suas próprias inseguranças. O jogador acompanha Cyzki enquanto ele se envolve em conflitos, alianças e revelações sobre a verdadeira natureza da sociedade psíquica.
Como chegamos aqui
A criação de Children of Belgrade Metro foi liderada pela equipe indie Summertime, com direção artística de Reizoko, que utilizou fotografias reais de locais serbos para compor os fundos da narrativa. O visual pixelado remete aos jogos de PC‑98, reforçando a atmosfera retro‑futurista. A trilha sonora, composta por música eletrônica, complementa o clima decadente do subsolo.
O projeto foi inserido na série “Steam gems from Japan you might be missing out on”, promovida pelo portal AUTOMATON, com o objetivo de destacar títulos japoneses independentes que costumam ser ofuscados pela grande quantidade de lançamentos diários na plataforma.
Além da história principal, o jogo oferece um sistema de coleta de documentos – jornais, cartas, diários – espalhados pelos cenários. Esses itens desbloqueiam informações adicionais sobre a crise psíquica em Belgrado, permitindo ao jogador montar um panorama mais completo do conflito entre a população marginalizada e a corporação dominante.
- Cyzki – protagonista sem poderes, representa a perspectiva do “normal” em meio ao caos.
- Dejan – possui psicocinese, luta contra a culpa de ser caçado.
- Mariya – filha de um executivo da Golden Dawn, busca identidade própria.
- Nedelka – membro de minoria étnica, enfrenta preconceitos além da perseguição psíquica.
O design de personagens enfatiza diferenças de personalidade e posição social, afastando a narrativa de um clichê de “herói que ganha poderes”. Em vez disso, o foco recai sobre a sensação de inferioridade, a necessidade de reconhecimento e a busca por pertencimento.
O que vem depois
Embora não haja planos anunciados para sequências ou expansões, a disponibilidade do título permanece restrita ao PC via Steam e à loja BOOTH, sem suporte oficial em inglês. A ausência de localização limita o alcance internacional, mas mantém o caráter de obra de nicho voltada ao público que aprecia experiências narrativas densas.
Para os interessados em aprofundar o universo, a exploração dos documentos colecionáveis oferece uma camada extra de lore, revelando detalhes sobre a origem da lei anti‑psíquica, a história da construção abortada do metrô e as motivações internas da Golden Dawn.
Em termos de recepção, a crítica especializada destacou a combinação única de estética retro, trilha sonora imersiva e abordagem psicológica dos personagens. A proposta de mesclar suspense com drama de formação tem sido apontada como inovadora dentro do gênero de visual novels.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Desenvolvedor | Summertime (indie) |
| Lançamento | Setembro 2020 (Steam) |
| Plataforma | PC (Steam, BOOTH) |
| Idioma | Somente idioma original (sem suporte em inglês) |
| Gênero | Visual novel, suspense, drama de formação |
Para ficar no radar
Children of Belgrade Metro demonstra como um título indie pode abordar questões sociais complexas – exclusão, identidade e poder – dentro de um cenário ficcional que mistura realidade fotográfica e estética pixelada. A obra serve como referência para desenvolvedores que buscam narrativas que transcendem o simples uso de habilidades sobrenaturais, focando nas emoções humanas subjacentes.
Se você ainda não experimentou o jogo, vale a pena conferir a experiência completa, especialmente se aprecia histórias que unem gameplay leve (coleta de documentos) a reflexões profundas sobre o que significa ser “normal” em um mundo que valoriza o extraordinário.


