Os brinquedos lançados nos anos 80 para as séries de animação "Centurions", "M.A.S.K.", "Visionaries" e "BraveStarr" ainda são lembrados como mais inovadores que as próprias histórias. No Brasil, esses itens marcaram a infância de uma geração que colecionava peças que iam além do simples plástico.
O que aconteceu
O primeiro grande sucesso de merchandising foi M.A.S.K. (1985), criado pela Kenner. A série mostrava heróis equipados com máscaras especiais e veículos que se transformavam, e a linha de brinquedos reproduziu exatamente essas transformações: carros que se convertiam em helicópteros, motos com armas ocultas e máscaras intercambiáveis. Em 1986 chegou Centurions, da Filmation, que introduziu a ideia de figuras modulares. Cada personagem podia receber diferentes armaduras e armas, permitindo combinações quase infinitas. Já em 1987, Visionaries: Knights of the Magical Light trouxe o conceito de hologramas: os bonecos exibiam imagens 3D de animais espirituais no peito, algo que ainda hoje impressiona colecionadores. No mesmo ano, BraveStarr (também 1987) da Mattel misturou a estética de "Masters of the Universe" com tecnologia de laser infravermelho, permitindo que as figuras “disparassem” entre si.
Como chegamos aqui
O boom de cartoons nos sábados de manhã foi impulsionado por acordos entre estúdios de animação e fabricantes de brinquedos. Na prática, a série servia como vitrine para o produto, enquanto o brinquedo oferecia uma experiência que a TV não podia proporcionar. No caso de M.A.S.K., a engenharia das transformações exigiu investimentos em moldes complexos, mas o resultado foi um line‑up que ainda hoje é citado como referência de design funcional. Centurions seguiu a mesma lógica, mas apostou na modularidade: peças intercambiáveis que permitiam ao garoto criar seu próprio herói, antecipando a cultura de customização que vemos em jogos de construção hoje.
Com Visionaries, a Hasbro (então responsável) arriscou ao incluir hologramas reais nos bonecos – uma tecnologia cara na época, mas que trouxe um toque de magia tangível. O efeito visual era tão marcante que, mesmo sem assistir à série, a criança já sentia que possuía um “poder mágico” nas mãos. Por fim, BraveStarr combinou ação física e interatividade: o Neutra‑Laser e o Laser‑Fire eram sistemas de infravermelho que permitiam duelos entre as figuras, algo parecido com os jogos de laser tag da década.
Essas inovações foram decisivas para que o público brasileiro – que consumia a maioria desses programas via TV aberta e via cabo – mantivesse viva a memória das linhas de brinquedo. As lojas de brinquedo da época, como a Lojas Americanas e a Ponto Frio, dedicavam vitrines exclusivas a esses produtos, criando um ciclo de desejo que ainda hoje alimenta o mercado de colecionáveis retro.
- M.A.S.K.: veículos transformáveis, máscaras intercambiáveis, ação de combate com armas de brinquedo.
- Centurions: figuras modulares, peças de armadura e armas que se encaixam em diferentes combinações.
- Visionaries: hologramas de animais espirituais, staffs que mudam de cor, veículos futuristas.
- BraveStarr: sistema de laser infravermelho, figuras com compartimentos para “munição” de luz, design inspirado em MOTU.
O que vem depois
Nos últimos anos, o renascimento das linhas vintage tem impulsionado relançamentos e reimpressões. A Hasbro já anunciou planos de trazer de volta os hologramas de Visionaries em uma edição limitada, enquanto a Mattel lançou coleções de “collector’s edition” de BraveStarr com acessórios atualizados. No Brasil, feiras como a CCXP têm atraído expositores que vendem peças originais e reproduções de alta qualidade, alimentando a nostalgia dos fãs que cresceram nos anos 80.
Para quem ainda não possui, o caminho mais fácil é procurar em marketplaces especializados ou grupos de colecionadores nas redes sociais. A tendência é que, à medida que a geração que viveu a era dos cartoons se torne adulta, a demanda por peças originais aumente, elevando ainda mais o valor desses itens no mercado secundário.
Em resumo, a magia dos brinquedos dos anos 80 não está apenas na nostalgia, mas na forma como eles ampliaram o universo das séries, oferecendo ao público brasileiro uma experiência tátil que ultrapassou a tela da TV.
Vale a pena?
Se você é fã de animação dos anos 80 ou colecionador de brinquedos retro, investir nas linhas de Centurions, M.A.S.K., Visionaries e BraveStarr ainda faz sentido. Além de reviver momentos marcantes da infância, essas peças são exemplos de design que influenciaram gerações de brinquedos modernos.


