TL;DR: O CEO da Nothing, Carl Pei, confirmou que a escassez de RAM já dobrou o custo de produção do phone 4a e que os preços dos smartphones devem continuar subindo ao longo de 2025.
Por que Carl Pei está falando sobre aumento de preço?
Carl Pei, co‑fundador da Nothing, tem se tornado a voz mais alta do setor ao alertar consumidores e fabricantes sobre a escalada dos custos de componentes, principalmente a memória RAM. Em um post recente na rede X, ele explicou que o preço da RAM "dobrou" entre a fase de decisão de produção e o lançamento do Phone 4A, e que esse aumento se repetiu novamente desde então. O alerta não é apenas um desabafo interno; ele reflete um problema estrutural que afeta toda a cadeia de suprimentos de smartphones.
O que causou a escassez de RAM?
A falta de memória RAM tem origem em três fatores principais:
- Demanda explosiva de dispositivos conectados, impulsionada por IA generativa e jogos mobile de alta performance.
- Problemas de produção nas fábricas de semicondutores, que ainda se recuperam de interrupções causadas pela pandemia e pela crise geopolítica.
- Políticas de estoque das grandes empresas de foundry, que priorizam clientes premium, deixando os fabricantes de mid‑range em desvantagem.
Esses elementos combinados criam um gargalo que eleva o preço da RAM, e como a maioria dos smartphones modernos depende de 8 GB ou mais, o efeito cascata é inevitável.
Como a Nothing está reagindo ao aumento de custos?
A estratégia da Nothing tem sido transparente: ao invés de esconder o aumento de preço, a empresa comunica diretamente ao público. Pei mencionou que o Phone 4A, que deveria ser um modelo acessível, viu seu custo de memória dobrar duas vezes. Como resposta, a empresa pode adotar:
- Redução de margem de lucro para manter o preço final competitivo.
- Busca por fornecedores alternativos ou renegociação de contratos de longo prazo.
- Ajuste nas especificações de modelos futuros, priorizando eficiência de software sobre hardware excessivo.
Até o momento, a Nothing ainda não anunciou mudanças de preço oficiais, mas o alerta de Pei indica que os consumidores brasileiros devem se preparar para lançamentos mais caros nos próximos meses.
O que isso significa para o consumidor brasileiro?
O mercado brasileiro tem particularidades que amplificam o impacto desse cenário:
- Impostos de importação já encarecem gadgets em até 60 %.
- Flutuação cambial pode elevar ainda mais o preço final.
- Preferência por smartphones de médio porte faz com que a categoria mais vulnerável (mid‑range) sinta o peso da alta da RAM.
Em resumo, quem planeja trocar de celular em 2025 pode encontrar preços 10 % a 20 % acima do esperado, especialmente em modelos que exigem 8 GB ou mais de RAM.
Quais outras marcas podem enfrentar o mesmo problema?
Além da Nothing, grandes players como xiaomi, samsung e Motorola já relataram dificuldades para garantir lotes de RAM a preços estáveis. A diferença está na capacidade de absorver custos: empresas com linhas premium podem repassar parte do aumento ao consumidor sem perder competitividade, enquanto marcas focadas no segmento de entrada ou mid‑range podem ser forçadas a reduzir margens ou adiar lançamentos.
Existe alguma solução tecnológica para mitigar o problema?
Algumas abordagens podem aliviar a pressão:
- Memória LPDDR5X mais eficiente, que oferece maior desempenho com menor consumo, reduzindo a necessidade de módulos maiores.
- Software de otimização que gerencia recursos de forma mais inteligente, permitindo que dispositivos com menos RAM entreguem experiência fluida.
- Parcerias estratégicas entre fabricantes e foundries para garantir lotes reservados, embora isso aumente a dependência de poucos fornecedores.
Entretanto, nenhuma solução elimina completamente a questão de oferta limitada, e o preço da RAM deve permanecer volátil até que a produção alcance um novo equilíbrio.
O que falta saber?
Embora o alerta de Carl Pei seja claro, ainda há pontos que precisam de confirmação:
- Qual será o impacto exato nos preços de modelos já anunciados pela Nothing, como o Phone 4A Pro?
- As empresas vão repassar integralmente o aumento de custo ao consumidor ou absorver parte nas margens?
- Quando a cadeia de suprimentos de RAM deve se estabilizar, considerando os investimentos anunciados por fabricantes de chips?
Para o público geek brasileiro, acompanhar os comunicados oficiais da Nothing e de outras marcas será essencial para planejar a próxima compra sem surpresas desagradáveis.
FAQ
- Quando a Nothing anunciou o aumento de preço? Carl Pei fez a declaração em um post no X em junho de 2024, citando o duplo aumento de custo da RAM desde a fase de decisão do Phone 4A.
- Isso afeta apenas o Phone 4A? Não. O alerta se aplica a toda a linha de mid‑range da empresa, e o mesmo risco pode se estender a outros modelos que dependam de 8 GB ou mais de RAM.
- Os consumidores podem esperar descontos? Até o momento, a Nothing não prometeu descontos; ao contrário, a tendência é de preços mais altos, a menos que a empresa decida absorver parte dos custos.


