Enquanto a franquia se prepara para retornar às telonas com o aguardado filme The Mandalorian & Grogu (produção da Lucasfilm que levará a série do Disney+ para o cinema), o herói clássico Luke Skywalker provou que ainda é o mestre absoluto quando o assunto é movimentar a galáxia — ou, pelo menos, as carteiras dos colecionadores mais fervorosos. Um card de chiclete raríssimo, apresentando o jovem fazendeiro de Tatooine, foi arrematado em um leilão por impressionantes US$ 73.072 (aproximadamente R$ 365 mil em conversão direta).
O que torna este card de Luke Skywalker tão valioso?
O item em questão não é um simples pedaço de papelão. Trata-se de um card da Topps Series 1, lançado originalmente em 1977 para promover o primeiro filme, Star Wars: Uma Nova Esperança. Naquela época, esses cards eram vendidos em pacotes que acompanhavam um chiclete rosa retangular e quebradiço, cujo cheiro costumava impregnar o papel por décadas.
O valor recorde de US$ 73.072 foi alcançado não apenas pela nostalgia, mas pelo estado de conservação impecável. A Heritage Auctions, casa de leilões sediada em Dallas, descreveu o card como estando em condição "mint" (perfeita), algo extremamente difícil de encontrar para um objeto fabricado há quase 50 anos. Para se ter uma ideia do salto no mercado, este valor mais do que dobrou o recorde anterior para um item idêntico, sinalizando que a bolha de colecionáveis de alta gama de Star Wars (franquia criada por George Lucas) continua em plena expansão.
Quais outros itens de Star Wars foram destaque no leilão?
Embora o card de Luke tenha roubado os holofotes pelo valor proporcional ao seu tamanho, ele foi apenas uma pequena parte de um evento massivo. O leilão totalizou uma arrecadação de US$ 3.811.584, provando que o mercado de memorabilia nerd é um investimento tão sério quanto o mercado de ações para alguns entusiastas.
Entre as peças que atingiram valores astronômicos, destacam-se:
- réplica da millennium falcon: Um modelo de exibição de 5 pés (cerca de 1,5 metro) da nave de Han Solo, construído com técnicas autênticas da Industrial Light & Magic (empresa de efeitos visuais da Lucasfilm), foi vendido por US$ 371.629. Este modelo já esteve em exibição no Academy Museum of Motion Pictures.
- capacete de The Mandalorian: Um capacete original utilizado pelo ator Pedro Pascal durante as gravações da série The Mandalorian foi arrematado por US$ 42.471.
- HQ Star Wars #1 (Variante de 35 centavos): Uma edição raríssima da primeira história em quadrinhos da saga, com o preço de capa variante de 35 centavos (em vez dos tradicionais 30), foi vendida por US$ 172.542.
A ciência por trás dos recordes de colecionáveis
Joe Maddalena, vice-presidente executivo da Heritage Auctions, comentou que esses resultados demonstram a força e a expansividade do universo de colecionadores de Star Wars. Segundo ele, a demanda está crescendo em todas as categorias, desde cards comerciais vintage até adereços de produção (props) de nível de museu. Mas por que agora?
O fenômeno pode ser explicado por uma combinação de fatores. Primeiro, a geração que cresceu assistindo à trilogia original nos anos 70 e 80 atingiu o auge de seu poder aquisitivo. Segundo, a constante renovação da marca pela Disney, com séries como Ahsoka e Andor, mantém a franquia relevante para novos públicos, o que valoriza ainda mais os itens "gênese" da saga.
"Estamos vendo uma demanda extraordinária em todas as categorias. Desde cards que redefinem expectativas até modelos de naves com qualidade de museu, Star Wars continua sendo o padrão ouro dos colecionáveis", afirmou Maddalena ao NY Post.
O detalhe da variante de 35 centavos
Para o leigo, a diferença entre uma revista de 30 centavos e uma de 35 centavos parece trivial, mas no mundo do colecionismo, isso é o que separa um item comum de uma relíquia. Em 1977, a Marvel Comics realizou testes de mercado em cidades selecionadas para ver se o público aceitaria um aumento de preço. Apenas uma fração minúscula das cópias de Star Wars #1 saiu com o selo de 35 centavos, tornando-as o "Santo Graal" para os colecionadores de HQs da saga.
O estado de conservação é o novo Império
Um ponto crucial para o valor do card de Luke Skywalker é a graduação. No mercado de cards, empresas como PSA ou BGS avaliam itens de 1 a 10. Um card nota 10 é estatisticamente improvável de existir após 40 anos, devido ao manuseio, luz solar e até a gordura natural das mãos. O fato de este card ter sido preservado por tanto tempo sugere que ele foi mantido em proteção rígida desde o momento em que saiu do pacote de chiclete — uma sorte que poucos tiveram nos anos 70.
Por que isso importa?
O sucesso deste leilão não é apenas uma curiosidade sobre pessoas ricas gastando dinheiro. Ele indica tendências culturais e econômicas importantes para o mundo geek:
- Valorização histórica: Itens de cultura pop estão sendo tratados com o mesmo rigor curatorial que obras de arte clássicas.
- Resiliência da marca: Mesmo com críticas divididas sobre os filmes mais recentes, o valor dos itens originais de Star Wars só aumenta, mostrando uma base de fãs sólida e intergeracional.
- Investimento alternativo: Colecionáveis estão se tornando uma forma de diversificação de patrimônio, competindo com criptoativos e metais preciosos.
- Hype para o cinema: O aquecimento do mercado de leilões geralmente precede grandes lançamentos cinematográficos, servindo como um termômetro para o interesse do público em The Mandalorian & Grogu.


