Em 1995, a série de stop‑motion cabbage patch kids estreou nos lares britânicos, trazendo cinco curtas que combinavam música contagiante, humor infantil e animação artesanal.
O que foi a série de stop‑motion dos Cabbage Patch Kids?
A série consiste em cinco especiais de 25 minutos cada, lançados entre 1995 e 1999. Cada episódio acompanha um grupo de crianças que vivem aventuras cotidianas — da escola ao clube de cinema — sempre acompanhadas de números musicais escritos por Dave Cooke. Os curtas foram produzidos pela Famous Flying Films a pedido da empresa detentora da marca, Original Appalachian Artworks, que queria explorar seu sucesso em vídeo doméstico.
Como a série se insere na história da animação britânica?
Nos anos 80 e 90, o Reino Unido desenvolveu um ecossistema sólido de animação em stop‑motion, com estúdios como Cosgrove Hall (Wind in the Willows) e Aardman (A Grand Day Out, The Wrong Trousers). A Famous Flying Films entrou nesse cenário trazendo uma produção de alta qualidade, capaz de animar até seis segundos por dia — um ritmo impressionante para curtas de 25 minutos. A série foi aclamada como “expressiva, quase perfeita” pelos críticos da época, consolidando o talento britânico em manipulação de marionetes.
Quem foram os criadores e quais foram suas carreiras depois?
Os responsáveis pelos bonecos e pela direção foram Ian Mackinnon e Peter Saunders, veteranos da Cosgrove Hall que fundaram sua própria empresa no início dos anos 90. Após o sucesso dos Cabbage Patch Kids, eles passaram a trabalhar em projetos de maior destaque:
- Mars Attacks (1996) – colaboração com Tim Burton, criando mais de 200 marionetes.
- Corpse Bride (2005) – design de personagens para o filme indicado ao Oscar.
- Fantastic Mr. Fox (2009) – produção de marionetes para Wes Anderson.
- Pinocchio (2022) – trabalho com Guillermo del Toro na versão em stop‑motion.
Ian Mackinnon já havia sido indicado ao Oscar por seu curta The Sandman (1993), reforçando a reputação da dupla como mestres da arte da marionete.
Por que a série se tornou um cult e ainda não está em streaming?
Além da qualidade técnica, a série ganhou notoriedade graças a momentos inesperados, como a música “They Think I’m Crazy (A Little Preparation)”, que virou obsessão da apresentadora Rosie O'Donnell. O fato de nunca ter sido lançada em plataformas digitais mantém a obra como um tesouro de VHS, com fãs compartilhando scans no YouTube. Essa escassez alimenta o status de cult, pois quem encontra o material costuma descrevê‑lo como “uma explosão de música contagiante, humor sincero e animação impecável”.
Qual a influência da série nos filmes de Tim Burton?
O trabalho de Mackinnon e Saunders nos Cabbage Patch Kids demonstrou que era possível alcançar expressividade e detalhes em curtas de poucos segundos por dia. Essa expertise chamou a atenção de Tim Burton, que os contratou para Mars Attacks – seu primeiro grande projeto em stop‑motion. A experiência adquirida ali foi fundamental para a criação de Corpse Bride, onde a equipe projetou mais de 200 marionetes, muitas das quais carregavam a estética de personagens infantis e ao mesmo tempo perturbadores, característica presente nos curtas dos Cabbage Patch Kids.
Para ficar no radar
Embora ainda não tenha sido disponibilizada em serviços de streaming, a série pode ser encontrada em coleções de VHS digitalizadas no YouTube. Se você ainda não assistiu, prepare-se para músicas que grudam na cabeça, humor que lembra os desenhos animados dos anos 90 e uma animação tão cuidadosa que ainda impressiona profissionais da área. A obra também serve como ponto de partida para entender a evolução da stop‑motion britânica e sua influência em grandes produções hollywoodianas.


