Mais de 20 funcionários do estúdio Build a Rocket Boy publicaram mensagens de despedida nas redes sociais nas últimas 24 horas.
Esses posts, todos marcados com a hashtag #OpenForWork, deixam claro que a empresa está desfazendo sua equipe, ponto que já foi detectado por veículos como Kotaku. Até o momento, a própria Build a Rocket Boy não comentou publicamente, mas a onda de anúncios de saída sugere que o estúdio está a caminho de um encerramento definitivo.
Quais são os sinais claros de que o Build a Rocket Boy está à beira do colapso?
- Despedidas simultâneas nas redes. Em menos de 24 horas, desenvolvedores de recrutamento, arte 3D e design de níveis postaram avisos de saída, todos usando a mesma linguagem de “levantar a bandeira verde”. Essa sincronização rara indica que a decisão vem de cima, não de escolhas individuais.
- Comunicação oficial ausente. Enquanto Kotaku já recebeu “fontes confiáveis” que confirmam o fechamento, o estúdio ainda não emitiu nenhum comunicado. O silêncio institucional costuma ser sintoma de crises de reputação que as empresas preferem esconder.
- Histórico de layoffs recorrentes. Desde o lançamento de MindsEye em junho de 2025, o estúdio já passou por duas rodadas de cortes, além de uma carta aberta de quase 100 devs denunciando má gestão. Cada nova demissão aumenta a probabilidade de um colapso total.
- Saída do publicador. A IOI Partners, divisão da IO Interactive, retirou seu apoio ao jogo ainda este ano. Quando o parceiro financeiro abandona um projeto, a sobrevivência do estúdio fica comprometida.
- Acusações de sabotagem corporativa. A própria equipe citou “sabotagem corporativa” como causa dos problemas, um argumento que costuma mascarar falhas internas graves, como prazos impossíveis e falta de recursos.
- Protestos externos. Trabalhadores organizaram manifestações em frente ao escritório de Edimburgo, apoiados pelo IWGB Game Workers Union, denunciando suposta instalação de software de vigilância. Conflitos trabalhistas abalam ainda mais a moral da equipe.
- Falta de transparência financeira. Nenhum relatório de resultados foi divulgado desde o lançamento, e rumores de dívidas não pagas circulam entre ex-funcionários. A opacidade financeira costuma ser um prenúncio de falência.
O que isso significa para o futuro de MindsEye e da indústria?
MindsEye já enfrentou críticas por seu lançamento tumultuado, mas ainda tem uma comunidade de jogadores dedicada. Se o estúdio fechar, o título pode ficar abandonado, sem patches ou suporte pós‑lançamento, o que prejudica a experiência dos usuários.
Por outro lado, o fechamento de um estúdio de médio porte abre oportunidades para aquisições. Grandes publishers que ainda não têm um portfólio de jogos de ação em mundo aberto podem ver no código-fonte e na equipe remanescente um ativo valioso. A história recente da indústria mostra que estúdios “mortos” são frequentemente ressuscitados por conglomerados que buscam expandir seu catálogo.
- Possível compra por um gigante. Empresas como Ubisoft ou EA poderiam adquirir os direitos de MindsEye e integrá‑lo a uma franquia maior.
- Spin‑off independente. Alguns desenvolvedores que deixaram o Build a Rocket Boy podem se unir para formar um novo estúdio, mantendo a visão original do jogo.
- Descontinuação total. Se nenhum comprador aparecer, o jogo pode ser retirado das lojas digitais, deixando os jogadores sem acesso a futuras atualizações.
Independentemente do desfecho, o caso serve como alerta para desenvolvedores que dependem de um único publicador ou que não mantêm uma comunicação transparente com suas equipes.
Onde isso pode dar
A decisão de encerrar as operações pode ser vista como um sintoma de problemas mais amplos na indústria de jogos: pressões de cronogramas, expectativas de mercado e a crescente dependência de recursos externos. Se a Build a Rocket Boy realmente fechar, o impacto imediato será a perda de empregos e a incerteza sobre MindsEye. A médio prazo, pode incentivar outras empresas a reverem suas políticas de contratação e a investir em estruturas de suporte mais robustas.
“Just shy of 5 years here at BARB and one hell of a ride! Being the first hire into our internal recruitment team, taking the studio from 200 to 550 in a short period of time,” escreveu um ex‑recrutador em seu post de despedida.
Esse sentimento de “uma jornada incrível” contrasta com a realidade de cortes abruptos, reforçando o quão volátil pode ser o ambiente de desenvolvimento. A lição para a comunidade é clara: a paixão não substitui planejamento financeiro sólido.
Em resumo, o futuro de MindsEye está em branco, mas a indústria tem a chance de aprender com esse episódio, adotando práticas mais sustentáveis e evitando que outros estúdios sigam o mesmo caminho.


