Bruce Campbell – o rosto por trás de Ash Williams – afirmou que os últimos filmes da franquia Evil Dead estão perdendo o humor que definiu a série original.
O que aconteceu
Desde o início, duas constantes marcaram a saga: Sam Raimi dirigia todos os títulos e Bruce Campbell encarnava o protagonista Ash. A partir de Evil Dead Rise (2023) e Evil Dead Burn (2024), Raimi deixou a direção nas mãos de outros cineastas, e Campbell passou a aparecer apenas em participações. Essa mudança trouxe um tom mais sombrio, focado em violência gráfica e em uma paleta de cores cinza‑verde que, segundo Campbell, lembra “sala de hospital”.
Em entrevista ao Men’s Journal, Campbell criticou a falta de piadas nos três filmes recentes, dizendo que "um pouco mais de humor não mataria ninguém". Ele destacou que, apesar da atmosfera mais séria, o sangue ainda precisa aparecer vermelho – um detalhe que ele considera essencial para a identidade visual da franquia.
Como chegamos aqui
A transição começou com o remake de 2013, dirigido por Fede Álvarez. Embora o filme mantivesse o terror, a comédia foi quase inexistente. Evil Dead Rise tentou inserir algumas piadas, mas ainda não alcançou o equilíbrio entre horror e humor que Raimi estabeleceu nos anos 90. Evil Dead Burn seguiu a mesma linha, priorizando gore e ação sobre o tom satírico.
- Direção: Sam Raimi (original) → Fede Álvarez (2013) → Diretores variados (Rise, Burn).
- Presença de Campbell: Protagonista principal (todos os filmes clássicos) → Aparições esporádicas (Rise, Burn).
- Tom: Horror‑comédia (Raimi) → Horror puro (remake e sequências recentes).
Campbell também apontou que o uso excessivo de iluminação fria cria uma sensação de “garagem” que afasta o espectador da atmosfera grotesca e divertida que a série sempre teve. Ele lembrou que, nos primeiros filmes, cabeças de veados e olhos voadores eram usados para gerar humor macabro, algo que os novos diretores ainda não reproduziram.
O que vem depois
O próximo título, Evil Dead Wrath, já está concluído e conta com Francis Galluppi na direção. Campbell demonstra confiança no filme, citando o trabalho anterior de Galluppi em The Last Stop in Yuma County como prova de sua capacidade de equilibrar estilo e narrativa. "Isso já resolve metade da batalha", disse o ator, sugerindo que o diretor tem visão para reintegrar o humor.
Se a franquia pretende reconquistar seu público original, será crucial restaurar o equilíbrio entre terror e comédia. Campbell insiste que "pouco mais de humor não vai matar a série", indicando que os próximos roteiros devem incluir diálogos mais leves e situações absurdas que contrastem com a violência.
"Você pode ser assustador sem ser sombrio", resumiu Campbell ao comentar a necessidade de humor nos novos Evil Dead.
O que falta saber
Embora Campbell tenha elogiado a cor do sangue nos últimos filmes – que continua vermelha apesar da tonalidade geral escura – ele não confirmou detalhes específicos sobre o enredo de Evil Dead Wrath. O que se sabe é que a produção busca trazer um toque de humor, mas ainda não há informações sobre datas de lançamento ou estratégias de marketing.
Os fãs da franquia aguardam ansiosamente para ver se a próxima entrega conseguirá mesclar o legado de Raimi com a visão de novos diretores, mantendo a identidade visual e, sobretudo, devolvendo o humor que sempre fez de Evil Dead um clássico cult.
Para ficar no radar
Enquanto o futuro da série ainda está em desenvolvimento, a crítica de Bruce Campbell serve como um termômetro para o que a comunidade espera: mais piadas, menos cinza‑verde e, claro, sangue vermelho como sempre.


