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Blade 28 anos: o filme R-rated que salvou a Marvel e nos deu a melhor one-liner dos anos 90

· · 4 min de leitura
Imagem de Blade — Blade 28 anos: o filme R-rated que salvou a Marvel e nos deu a melhor
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Em 21 de agosto de 1998, blade estreava nos cinemas americanos e provava que a marvel podia render bilheteria de verdade — algo que Howard the Duck (1986) tinha falhado miseravelmente em fazer 12 anos antes. O caçador de vampiros de Wesley Snipes arrecadou 131,2 milhões de dólares com orçamento de 45 milhões, classificação R e uma atitude que o MCU demoraria décadas para igualar.

O que aconteceu

Lançado pela New Line Cinema, Blade chegou num momento em que filmes de quadrinhos eram sinônimo de fracasso crítico ou vergonha alheia. Daredevil, Hulk, Quarteto Fantástico, Motoqueiro Fantasma e a saga X-Men da Fox ainda estavam no forno ou no papel. O Daywalker — meio humano, meio vampiro, imune à luz do sol — virou o primeiro herói Marvel a acertar a mão: ação visceral, estética clubber noventista e uma frase que até hoje ecoa em fóruns e streams: "Some motherf*ckers are always trying to ice skate uphill".

O filme não é perfeito. O CGI envelheceu mal, o tom oscila entre o sério e o camp involuntário, e a trama é funcional no máximo. Mas justamente essa imperfeição dá personalidade. Snipes carrega o filme nos ombros com uma fisicalidade que dispensava dublês em 90% das cenas — ele era artista marcial de verdade, e isso aparece. A direção de Stephen Norrington e o roteiro de David S. Goyer (que depois dirigiria o fraco Blade: Trinity) levaram o material a sério quando o estúdio queria uma paródia ou um protagonista branco.

Como chegamos aqui

A origem do projeto é quase tão bizarra quanto o pato da Marvel. A New World Pictures comprou a Marvel Entertainment Group em 1986 e queria um faroeste no México com Richard Roundtree ou LL Cool J no papel principal. O projeto migrou para a New Line, onde executivos cogitaram tornar Blade uma comédia ou escalar um ator branco. David Fincher chegou a trabalhar no roteiro antes de sair. Só quando Wesley Snipes assinou em 1996 a coisa engrenou — ele exigiu seriedade, treinou lama e boxe, e impôs a identidade visual que virou marca registrada: óculos escuros, couro preto, espada de titânio.

O sucesso garantiu duas sequências: Blade II (2002), sob comando de Guillermo del Toro — que injetou horror gótico e design de criaturas no DNA da franquia — e Blade: Trinity (2004), dirigido pelo próprio Goyer, que tentou expandir o universo com os Nightstalkers (Ryan Reynolds e Jessica Biel) mas perdeu o foco. Ainda assim, a trilogia arrecadou mais de 415 milhões globalmente e provou que heróis "menores" podiam sustentar franquias R-rated.

Sem Blade, é plausível que Homem-Aranha de Sam Raimi (2002) e X-Men de Bryan Singer (2000) tivessem mais dificuldade para conseguir sinal verde. O filme mostrou que quadrinhos podiam ser adaptados com respeito ao material e apelo adulto — a receita que a Marvel Studios replicaria em escala industrial a partir de 2008.

O que vem depois

Em 2019, a Marvel Studios anunciou Blade no MCU com Mahershala Ali — vencedor de dois Oscars — no papel principal. A empolgação durou pouco. Roteiristas saíram, diretores saíram (Bassam Tariq, Yann Demange), a data de estreia foi empurrada várias vezes. Em julho de 2026, Ali confirmou que deixou o projeto. O filme, na prática, está morto.

Enquanto isso, Wesley Snipes reapareceu em Deadpool & Wolverine (2024) e cravou: "There's only ever gonna be one Blade". A fala soa como epitáfio e vitória simultâneas. O MCU teve a voz do personagem na cena pós-créditos de Eternos e uma variante em Marvel Zombies (animação), mas carne e osso? Só Snipes.

  • A trilogia original está disponível no streaming (Disney+ / Star+ na época do lançamento)
  • Quadrinhos recentes de Blade (roteiro de Danny Lore, arte de German Peralta) tentam modernizar o personagem sem apagar o legado cinematográfico
  • Nenhum reboot live-action está confirmado para os próximos anos

O veredito: ainda não existe outro Blade

Vinte e oito anos depois, Blade (1998) envelheceu melhor que muito blockbuster de 300 milhões. Não pela técnica — o CGI de vampiro virando cinza é risível hoje —, mas pela atitude. Ele não pede desculpas por ser violento, sexy, noventista e cool sem tentar. O MCU construiu um império de 30 bilhões de dólares, mas ainda não entregou um herói com a presença de palco de Wesley Snipes entrando na boate ao som de Confusion (Pump Panel Remix).

Se você nunca viu, assista hoje. Se já viu, reassista. A one-liner do patins continua imbatível — e o filme sabe disso.

Perguntas frequentes

Quando Blade (1998) foi lançado nos cinemas? ▾
Blade estreou nos Estados Unidos em 21 de agosto de 1998, há 28 anos.
Quanto Blade arrecadou no box office? ▾
O filme arrecadou 131,2 milhões de dólares mundialmente contra um orçamento de 45 milhões.
Por que o filme Blade do MCU com Mahershala Ali foi cancelado? ▾
Após múltiplas trocas de roteirista e diretor, Mahershala Ali anunciou em julho de 2026 que deixou o projeto, o que na prática encerrou a produção.
Wesley Snipes aparece no MCU? ▾
Sim, Snipes reprisou o papel em Deadpool & Wolverine (2024), onde diz a frase: "There's only ever gonna be one Blade".
Blade abriu caminho para o MCU? ▾
Sim. O sucesso comercial de Blade provou que adaptações da Marvel podiam funcionar no cinema, pavimentando o caminho para X-Men (2000), Homem-Aranha (2002) e eventualmente o MCU.
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