Harvey Smith e Ben Horne, nomes por trás de Dishonored 2 e Redfall, oficializaram o Black Pony Immersive com 26 funcionários — a maioria ex-Arkane Austin — e já rejeitaram propostas que envolviam blockchain. O primeiro jogo será um RPG de ação em primeira pessoa single-player, sem data definida.
O que aconteceu
Em 19 de agosto de 2026, a indústria foi surpreendida — ou talvez aliviada — com o anúncio público do Black Pony Immersive. O estúdio, na verdade, já operava em silêncio desde agosto de 2025, um ano após a Microsoft fechar a Arkane Austin junto com a Tango Gameworks e a Alpha Dog Studios. Harvey Smith assume como CEO e diretor criativo; Ben Horne, como COO e produtor executivo. A equipe inicial conta com 26 profissionais em tempo integral, todos baseados nos Estados Unidos, apoiados por contratados globais.
O currículo coletivo impressiona: além da base da Arkane, há gente da Insomniac, Avalanche, Volition e Epic. Dois nomes saltam aos olhos: Ricardo Bare, designer da série Deus Ex que trabalhou lado a lado com Smith, e Monte Martinez, com passagens pela Ion Storm e pela WolfEye Studios. Em entrevista ao GamesIndustry.biz, Smith definiu o momento: "Durante um período de volatilidade na indústria, tenho orgulho de anunciar o próximo passo na minha jornada". Horne completou: "Este grupo trabalha junto há anos, décadas em alguns casos, e foi feito sob medida para criar os jogos ambiciosos que amamos — immersive sims".
Como chegamos aqui
O fechamento da Arkane Austin em 2024 foi um soco no estômago de quem acompanha o gênero. A Microsoft comprou a ZeniMax/Bethesda prometendo autonomia, mas a reestruturação de 2024 mostrou que promessas corporativas têm prazo de validade. Smith e Horne não saíram correndo para o primeiro cheque que apareceu. Segundo Horne, passaram meses em um "ambiente realmente horrível para captação de recursos", ouvindo propostas que iam de investimento tradicional a — pasmem — "situações de NFT blockchain".
A recusa é o detalhe mais revelador. Em um mercado onde estúdios independentes aceitam qualquer condição para sobreviver, o Black Pony disse não. "Por mais que quiséssemos tirar isso do papel, vamos tentar fazer do jeito certo", afirmou Horne. Essa postura sugere duas coisas: ou eles têm reserva financeira confortável, ou conseguiram um parceiro que respeita a autonomia criativa — algo raro hoje. O fato de Smith não precisar "buscar muita aprovação de mais ninguém", como ele disse, aponta para a segunda hipótese.
O DNA do estúdio é inegável. Dishonored e Prey (este último da Arkane Lyon, mas com a mesma filosofia) definiram o immersive sim moderno: níveis que respiram, sistemas que se combinam de formas não planejadas, agência real do jogador. Redfall, por outro lado, foi um experimento multiplayer que não colou. A lição parece ter sido absorvida: o novo projeto é single-player, narrativo e centrado em mecânicas emergentes. Zero menção a live service, battle pass ou cooperação forçada.
O que vem depois
O jogo segue sem título, sem janela de lançamento e sem plataforma confirmada. O que sabemos: será um RPG de ação em primeira pessoa, single-player, rico em narrativa e construído sobre a experiência da equipe com sistemas emergentes. Em português claro: espere fases que reagem às suas escolhas, ferramentas que se combinam de forma criativa e uma história que não segura a mão do jogador.
- Equipe de 26 pessoas + contratados globais — tamanho ideal para iterar rápido sem a burocracia de um AAA.
- Zero concessões a blockchain/NFT — alinhamento raro em 2026.
- Foco em immersive sim puro — o gênero que grandes publishers abandonaram por "não escalar".
- Veteranos de Deus Ex, Dishonored, Prey, Redfall — bagagem técnica e de design comprovada.
A aposta da redação: o Black Pony Immersive tem tudo para ser o refúgio que fãs de Deus Ex e Dishonored procuram desde que a Arkane Austin fechou. Mas o verdadeiro teste não é o anúncio — é o primeiro trailer de gameplay. Até lá, a cautela é a única postura honesta.
O que falta saber
Três perguntas definem se o Black Pony vira referência ou vira nota de rodapé: quem financia de verdade o estúdio e qual o nível de interferência contratual; se a equipe consegue manter a coesão de design sem a estrutura da Arkane/Bethesda; e se o mercado ainda tem apetite comercial para um immersive sim single-player puro em 2026/2027. A resposta virá no primeiro gameplay — e na forma como o estúdio lida com a pressão de entregar sem um publisher grande ditando prazos. Por enquanto, a recusa ao blockchain já vale mais que muito comunicado de imprensa.


