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Black Myth: Zhong Kui ganha 15 min de gameplay — e a Game Science muda de lenda

· · 4 min de leitura
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A game science soltou 15 minutos de gameplay de Black Myth: Zhong Kui, seu próximo action RPG single-player, e a diferença para Wukong salta aos olhos: nada de Jornada ao Oeste, o protagonista agora é Zhong Kui — o exorcista que pinta a cara com sangue de demônios — e o tom é de julgamento, não de peregrinação.

O que aconteceu

O trailer chegou sem alarde prévio, direto nos canais do estúdio. São 15 minutos capturados de um work-in-progress rodando em proporção 21:9, com a ressalva padrão: tudo pode mudar até o lançamento. O vídeo foca no protagonista e dá pinceladas da narrativa — um poema em inglês abre a apresentação, falando de sangue na lâmina, velhos amigos em sonhos e a estrada dos justos que "corre longa". A Game Science confirmou plataformas: PC e "outras principais", mas não há data de lançamento. O projeto segue em estágio inicial.

Como chegamos aqui

Black Myth: Wukong explodiu em 2024 como o primeiro AAA chinês de alcance global genuíno. Vendeu milhões, levou prêmios e provou que a Game Science domina combat design, direção de arte e otimização técnica num nível que estúdios ocidentais levam décadas para atingir. O sucesso criou uma expectativa impossível: o que vem depois tem que ser maior, mais ousado, diferente.

Zhong Kui resolve parte desse problema trocando o macaco trapaceiro por uma figura de autoridade moral. Na mitologia chinesa, Zhong Kui é o rei dos caçadores de fantasmas, aquele que comanda legiões de demônios menores para prender os maiores. Ele não pede permissão, não faz jornada de autodescoberta — ele julga. O poema do trailer reforça isso: "quem diz que o submundo é longe? Melhor ainda — mais uma vez caminharei por ele". É a fala de quem já conhece o inferno e volta por obrigação, não por curiosidade.

A escolha também afasta o estúdio da sombra de Journey to the West. Todo mundo conhece Sun Wukong; poucos fora da Ásia sabem detalhes de Zhong Kui. Isso dá liberdade criativa: a Game Science pode inventar mecânicas, estrutura de missões e arcos de personagem sem fãs comparando cada frame a um romance clássico de 500 anos.

O que vem depois

O trailer levanta mais perguntas do que responde — e isso é deliberado. Aqui está o que a redação aposta que define o próximo ano de desenvolvimento:

  • Sistema de julgamento: o conceito de "pintar rouge com sangue" sugere mecânica de execução ou finalização que alimenta poder. Algo tipo Devil May Cry encontra Sekiro, mas ligado a moralidade — talvez o jogador decida quem merece morrer e quem pode ser redimido.
  • Estrutura não-linear: Wukong era capítulo a capítulo. Um exorcista que "caminha pelo submundo" implica hubs, investigação, escolha de alvos. Pode haver elemento de roguelite ou missões de caçada estilo Monster Hunter.
  • Tom maduro, não apenas sombrio: o poema fala de amor, rancor, velhice. Não é edgy por ser edgy; é o peso de quem viu gerações passarem. Se a escrita acompanhar, teremos algo raro: um action RPG com texto de verdade.
  • Multiplataforma real desde o dia um: Wukong lançou no PS5 e PC, xbox chegou depois. A menção a "PC e outras plataformas principais" no mesmo fôlego sugere lançamento simultâneo nas três grandes — lição aprendida.

O perigo é a Game Science cair na própria armadilha: fazer "Wukong com skin de exorcista". O combate mostrado tem peso, parry preciso, variedade de armas — tudo muito competente, muito familiar. A identidade própria virá dos sistemas que orbitam a luta: progressão, investigação, consequência moral. Se isso for apenas "mate demônios, assista cutscene, repita", o brilho do poema vira marketing vazio.

O lado que ninguém tá vendo

A aposta da redação: Black Myth: Zhong Kui lança antes de 2027. A Game Science mostrou 15 minutos de gameplay jogável, não apenas cinemática — isso indica vertical slice avançado. Dois a três anos de polimento, localização e QA cabem no cronograma de um estúdio que já tem pipeline, engine própria e capital do sucesso anterior.

Outro ponto: Zhong Kui abre portas para franchise de antologia mitológica. Wukong = truque. Zhong Kui = lei. Próximo pode ser Nezha (rebelião), ou Bai Suzhen (amor proibido). Cada jogo com mecânicas centrais diferentes, unidos só pelo selo "Black Myth". A Game Science vira a FromSoftware da mitologia chinesa — e isso vale mais que qualquer sequência direta.

Por enquanto, o trailer cumpre o papel: prova que o estúdio não parou, não repetiu a fórmula cegamente, e tem ambição narrativa à altura da técnica. O resto é tempo — e a Game Science mostrou que sabe gerenciar o seu.

Perguntas frequentes

Quando sai Black Myth: Zhong Kui?
A Game Science não anunciou data de lançamento. O jogo está em desenvolvimento inicial e o trailer mostra um build work-in-progress. A previsão da indústria aponta para 2026 ou 2027, mas nada confirmado.
Quem é Zhong Kui na mitologia chinesa?
Zhong Kui é o rei dos caçadores de fantasmas e exorcistas na tradição chinesa. Ele comanda legiões de demônios menores para capturar os maiores e é figura de autoridade moral e julgamento, diferente do trapaceiro Sun Wukong.
Black Myth: Zhong Kui é sequência de Wukong?
Não. É um novo jogo da mesma franquia "Black Myth", mas com protagonista, mitologia e tom diferentes. A Game Science trata cada título como experiência independente dentro de uma antologia mitológica.
Em quais plataformas vai sair?
Confirmado para PC e "outras plataformas principais" — leia-se PlayStation 5 e Xbox Series X|S, provavelmente com lançamento simultâneo, diferentemente de Wukong.
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