TL;DR: A atualização BIOS 3.20 lançada pela Framework em junho de 2026 está brickando alguns laptops com processadores AMD Ryzen 7040, deixando-os incapazes de iniciar. Usuários relatam telas pretas, barra de progresso travada e impossibilidade de desligar o aparelho.
O que aconteceu
Em junho de 2026 a Framework disponibilizou a BIOS 3.20 para os modelos Framework laptop 13 equipados com a série AMD Ryzen 7040. A atualização prometia suporte a novos recursos – como touchpad háptico, alto-falantes aprimorados – e correções de bugs, entre eles um problema de relatório incorreto do Battery Extender após reinicializações.
Apesar da promessa, uma parcela dos usuários começou a relatar falhas graves. O processo de atualização travava em uma tela preta com uma barra de progresso estática, e o laptop não respondia nem ao pressionar o botão de energia por longos períodos. Um usuário chamado Sven descreveu a situação em julho de 2026, afirmando que a barra de progresso permanecia imóvel por cerca de três horas, sem possibilidade de desligar ou reiniciar o aparelho.
"[T]he update process seems to have stalled. I see a black screen, a progress bar with two dots, then the Framework logo. The bar hasn't moved for about 3 hours, and I can't power off the laptop even holding the power button."
O fórum oficial da Framework recebeu múltiplas denúncias, e um issue no GitHub passou a compilar as reclamações. A empresa, em resposta, reconheceu que “recebeu relatos de uma pequena porcentagem de atualizações BIOS 3.20 resultando em placas não bootáveis” e afirmou estar investigando a causa raiz.
Como chegamos aqui
Para entender a raiz do problema, é preciso recuar à história recente da linha. A Framework começou a vender laptops pré-montados com CPUs Ryzen 7040 em 2023, marcando a primeira incursão da empresa em hardware AMD de alta performance. O modelo framework laptop 13 Pro foi anunciado como a versão premium, com bateria maior e preço mais elevado.
Ao longo de 2025, a comunidade de usuários elogiou a modularidade da máquina, mas também apontou limitações de firmware que impediam o pleno aproveitamento das novas funcionalidades de hardware. A BIOS 3.20 foi, portanto, uma tentativa de fechar esse gap, trazendo suporte a recursos avançados e corrigindo bugs conhecidos.
Entretanto, a estratégia de lançar uma atualização tão abrangente sem um ciclo de testes suficientemente extenso pode ter sido o ponto crítico. A própria Framework admite que o número de dispositivos afetados é “pequeno”, mas a gravidade – um laptop completamente inutilizável – eleva o impacto a níveis críticos para quem depende do equipamento para trabalho ou estudo.
- Pró: A atualização traz melhorias de hardware e corrige bugs importantes, potencializando o desempenho do Ryzen 7040.
- Contra: O processo de flash da BIOS apresenta falhas críticas, resultando em bricks que deixam o usuário sem solução imediata.
- Pró: A empresa está respondendo rapidamente, reconhecendo o problema e prometendo investigação.
- Contra: Falta de transparência sobre o número exato de unidades afetadas e ausência de um rollback oficial.
Além disso, a comunidade de desenvolvedores da Framework tem um histórico de colaboração aberta, mas a situação atual testa essa relação: usuários que antes contribuíam com melhorias agora se veem presos a um firmware defeituoso.
O que vem depois
O próximo passo da Framework será, inevitavelmente, lançar uma correção de firmware. Enquanto isso, recomenda‑se que usuários que ainda não instalaram a BIOS 3.20 aguardem instruções oficiais antes de atualizar. A empresa pode disponibilizar um roll‑back ou uma versão de BIOS “safe mode” para mitigar o risco.
Para quem já sofreu o brick, a solução mais provável será o envio da placa-mãe para reparo ou a substituição total do laptop, o que pode gerar custos adicionais e atrasos. A reputação da Framework, construída em torno da transparência e da modularidade, está em jogo: falhas desse tipo podem minar a confiança dos consumidores e abrir espaço para concorrentes que ofereçam suporte mais robusto.
Do ponto de vista técnico, o incidente serve como alerta para a indústria de hardware modular: a flexibilidade de componentes não pode ser acompanhada por um firmware igualmente sólido. A pressão para lançar atualizações rápidas pode colidir com a necessidade de testes exaustivos, especialmente quando se trata de firmware de baixo nível que controla o boot do sistema.
Onde isso pode dar
Se a Framework conseguir lançar uma correção eficaz e comunicar claramente os passos para os usuários, a crise pode se transformar em uma oportunidade de reforçar sua marca como “empresa que ouve e corrige”. Por outro lado, uma resposta lenta ou insuficiente pode levar a uma onda de devoluções, críticas negativas em fóruns especializados e, potencialmente, a perda de market share frente a fabricantes que priorizam estabilidade de firmware.
Além do impacto imediato, o caso pode influenciar políticas de atualização de firmware em toda a comunidade de laptops modulares. Fabricantes podem adotar ciclos de testes mais longos, incluir mecanismos de recuperação automática e melhorar a documentação para usuários avançados.
Em última análise, a situação coloca a Framework em uma encruzilhada: continuar a inovar rapidamente, arriscando novos bugs, ou adotar um ritmo mais cauteloso, preservando a confiança dos consumidores. A escolha que a empresa fizer nos próximos meses definirá não só o futuro dos laptops Ryzen 7040, mas também o modelo de negócio de hardware aberto que tem atraído tantos entusiastas.


