Beast Of Reincarnation chega com promessa de ação fluida e parry satisfatório, mas rapidamente se transforma em um jogo que só oferece sabor inicial antes de se tornar um chiclete insípido.
Fato: o que o jogo entrega de verdade?
Desenvolvido pela Game Freak, conhecida pelos títulos de Pokémon, Beast Of Reincarnation propõe um soulslike inspirado em Sekiro: Shadows Die Twice. O jogador controla Emma, uma samurai cibernética, acompanhada por Koo, um cão que dispara bolas de fogo. O combate gira em torno de parries que geram “dopamina” ao acertar, e um medidor de postura chamado Entanglement Gauge que pode ser gasto para desacelerar o tempo.
Nos primeiros três níveis, o jogo oferece gráficos agradáveis, movimentos de parry bem sincronizados e inimigos que, apesar de genéricos, dão sensação de desafio. A mecânica de usar o cabelo de Emma como plataforma dupla também traz momentos de travessia criativa.
Contexto: por que isso importa para o fã brasileiro?
O mercado brasileiro tem grande afinidade com jogos desafiadores e de alta rejogabilidade, como os próprios títulos da FromSoftware. Quando um estúdio tão reconhecido quanto a Game Freak tenta entrar nesse nicho, as expectativas são altas. Além disso, a comunidade local costuma valorizar inovações que tragam frescor ao gênero, algo que tem sido escasso nos últimos lançamentos de soulslike no país.
- Expectativa de qualidade: fãs esperam que a Game Freak consiga combinar sua expertise em design de criaturas com mecânicas sólidas de combate.
- Preço e acesso: títulos desse porte costumam chegar ao Brasil com preços elevados, o que aumenta a necessidade de um conteúdo robusto que justifique o investimento.
- Impacto cultural: um jogo que mistura estética oriental com elementos de ficção científica tem potencial de gerar memes, fanarts e discussões nas redes brasileiras.
Reação dos fãs/mercado
Os primeiros dias de lançamento geraram entusiasmo nas comunidades de discord e Reddit, com postagens elogiando o visual e a mecânica de parry. Contudo, rapidamente surgiram críticas ao ritmo monótono e à falta de variedade nos ambientes. Comentários recorrentes apontam que, após a terceira zona, o mapa se torna indistinguível, e os chefões repetem padrões quase idênticos.
Na steam, a avaliação média ficou em torno de 5,5/10, refletindo a divisão entre quem aprecia a curva de aprendizado rápida e quem sente que o jogo “engole” o tempo sem oferecer novidades significativas. No YouTube brasileiro, vídeos de gameplay destacam a frustração ao enfrentar inimigos que parecem mais “cobertura de tela” do que desafios estratégicos.
O que esperar
Se a Game Freak pretende corrigir as falhas apontadas, o próximo passo seria melhorar a diversidade de ambientes e introduzir mecânicas de combate que evoluam ao longo da jornada. Atualizações que reduzam o tempo de carregamento entre áreas e ajustem a câmera também seriam bem recebidas.
Para jogadores que já concluíram as primeiras zonas, a recomendação é focar em experimentar as variações de habilidades de Koo e explorar a mecânica de desaceleração de tempo, já que essas são as únicas camadas que ainda apresentam profundidade.
Para ficar no radar
Embora Beast Of Reincarnation não tenha cumprido todas as promessas iniciais, ele ainda pode servir como um ponto de partida para discussões sobre a evolução do soulslike no Brasil. A comunidade deve observar se a Game Freak reagirá ao feedback com patches que tragam mais variedade, ou se o título será relegado a uma curiosidade de nicho.
Enquanto isso, fãs de Sekiro podem encontrar alternativas mais consistentes em títulos como Elden Ring ou Nioh 2, que já demonstram maior polimento e profundidade de design.


