TL;DR: Beast of Reincarnation oferece combate visualmente atraente, porém a campanha extensa, narrativa confusa e personagens rasos comprometem a diversão para jogadores brasileiros.
Como o combate se compara a outros Soulslikes?
| Aspecto | Beast of Reincarnation | Outros Soulslikes (ex.: Dark Souls, Nioh) |
|---|---|---|
| Parry e bloqueio | Parry tolerante, bloqueio punidor, mas sem checkpoints frustrantes | Parry exigente, checkpoints rigorosos |
| Velocidade | Rápido, estilo Nioh, foco em combos aéreos | Mais ponderado, foco em resistência |
| Variedade de ataques | Grande variedade, porém algumas habilidades são redundantes | Variedade equilibrada, cada ataque tem papel definido |
O sistema de combate brilha nos primeiros minutos, mas a falta de diversidade nos padrões de ataque dos inimigos faz a experiência perder brilho rapidamente.
Qual o peso da duração na qualidade geral?
A campanha chega a cerca de 25 horas, mas grande parte desse tempo é consumido por:
- Repetição de chefões quase idênticos;
- missões de coleta que não acrescentam mecânicas novas;
- árvores de habilidades infladas, cheias de habilidades “fluff” que raramente são úteis.
Um corte para 10‑12 horas traria mais foco, menos monotonia e permitiria que os momentos de destaque – como os duelos com Koo – fossem mais impactantes.
O que a história realmente entrega?
Emma, a protagonista de chapéu cônico, tem um passado misterioso que poderia render uma trama profunda sobre memória, humanidade e tecnologia. Contudo, o roteiro sofre de:
- Excesso de perguntas sem respostas claras (por que Emma não tem memórias? quem é o holograma infantil?);
- Monólogos de lore que se arrastam minutos e sobrecarregam o jogador;
- Falta de desenvolvimento emocional, deixando diálogos monótonos.
Para o público brasileiro, que costuma valorizar narrativas bem amarradas e personagens carismáticos, esses pontos são grandes decepções.
Personagens: profundidade ou superfície?
Emma e seu companheiro canino Koo são os únicos focos narrativos. Enquanto Emma tem potencial para evoluir, sua entrega é plana: voz monótona, poucas reações e um arco previsível. Koo, apesar de fofo, tem um conjunto de habilidades limitado e pouca expressão emocional, o que impede que a dupla crie uma conexão real com o jogador.
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para quem busca ação rápida e visual estilizado – jogadores que apreciam combates ao estilo Nioh e não se importam com repetição – Beast of Reincarnation pode valer algumas horas de diversão.
Para quem prioriza história, personagens marcantes e ritmo enxuto – o típico público brasileiro de RPGs e narrativas – o título deixa a desejar e provavelmente será esquecido após a primeira tentativa.
Onde isso pode dar
Se a desenvolvedora optar por um patch que reduza a duração, simplifique a árvore de habilidades e adicione mais variedade nos padrões de ataque dos chefões, o jogo pode encontrar um nicho decente. Sem essas melhorias, ele corre o risco de ser lembrado apenas como um exemplo de “bom visual, péssima execução”.


