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Atari assume controle dos primeiros Wizardry: O futuro da franquia RPG

· · 6 min de leitura
Halteres e uma maçã ao lado de um joystick Atari e um tablet com RPG de masmorra sobre um tapete de ioga azul
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O renascimento de um pilar dos RPGs: Atari e Wizardry

A Atari (famosa empresa de hardware e software de jogos) anunciou oficialmente a aquisição dos direitos completos e exclusivos, além da propriedade intelectual (IP) subjacente, dos cinco primeiros jogos da lendária série Wizardry. Esta movimentação coloca sob o guarda-chuva da gigante norte-americana os títulos que definiram o gênero de dungeon crawler nos anos 80, permitindo que a empresa explore a marca em diversas frentes comerciais e criativas.

O acordo foca especificamente na era seminal da franquia, desenvolvida originalmente por Robert Woodhead e o falecido Andrew C. Greenberg. Para os entusiastas de RPGs de computador (CRPGs), Wizardry não é apenas um nome antigo; é a base sobre a qual títulos como Dragon Quest e Final Fantasy foram construídos, especialmente no que diz respeito ao sistema de combate em turnos e exploração de labirintos em primeira pessoa.

Quais jogos de Wizardry a Atari comprou exatamente?

A aquisição da Atari cobre o que muitos fãs consideram a "era de ouro" original da série. Os títulos incluídos no pacote são:

  • Wizardry: Proving Grounds of the Mad Overlord (1981): O jogo que deu início a tudo, introduzindo o conceito de grupos de aventureiros explorando masmorras complexas.
  • Wizardry II: The Knight of Diamonds (1982): A primeira sequência direta, que expandiu a narrativa e a dificuldade.
  • Wizardry III: Legacy of Llylgamyn (1983): Conhecido por introduzir mecânicas de alinhamento e descendência de personagens.
  • Wizardry IV: The Return of Werdna (1987): Um dos jogos mais difíceis da história, onde o jogador assume o papel do vilão do primeiro título.
  • Wizardry V: Heart of the Maelstrom (1988): O último da linhagem clássica original, apresentando masmorras muito maiores e sistemas mais refinados.

Além desses cinco jogos, a Atari confirmou que a transação inclui outros direitos contratuais e propriedades intelectuais relacionadas ao universo desses títulos específicos. Isso abre caminho para que a empresa não apenas relance os originais, mas crie novos conteúdos baseados nesse cânone específico.

O que a Atari pretende fazer com a franquia?

A estratégia da Atari não se limita apenas a colocar os jogos antigos em lojas digitais como o Steam ou GOG. A empresa declarou planos ambiciosos que incluem a distribuição física e digital, a criação de novos remasters, coleções e até mesmo lançamentos inéditos dentro do universo dos cinco primeiros jogos.

Mais do que isso, a Atari enxerga Wizardry como uma marca multimídia. O plano de longo prazo envolve o licenciamento para produtos de merchandising, jogos de cartas e de tabuleiro, livros, histórias em quadrinhos e até projetos para cinema e televisão. A ideia é transformar o "Original Wizardry" em uma franquia de entretenimento moderna, aproveitando o atual apetite do público por propriedades intelectuais nostálgicas e universos de fantasia sombria.

A confusão com a Drecom: Quem detém a marca?

Logo após o anúncio da Atari, a desenvolvedora japonesa Drecom (empresa de tecnologia e games de Tóquio) emitiu um comunicado para esclarecer a situação dos direitos. Em 2020, a Drecom havia anunciado a aquisição dos direitos autorais e das marcas registradas nacionais e internacionais da série Wizardry.

A Drecom negou os relatos de que a Atari teria adquirido a marca registrada (trademark) da franquia. Segundo a empresa japonesa, eles foram informados de que a Atari comprou os direitos dos cinco primeiros jogos diretamente dos detentores originais, mas a marca Wizardry em si e a gestão global da marca continuam sob o controle da Drecom.

"A Atari adquiriu os direitos totais dos primeiros cinco jogos de Wizardry e a IP subjacente a eles... A Drecom detém a marca registrada Wizardry. A Atari colaborou com a Drecom em nosso remake de Proving Grounds of the Mad Overlord."

Portanto, temos uma situação de propriedade dividida: a Atari controla o conteúdo e a IP dos jogos 1 a 5, enquanto a Drecom controla a marca global e os jogos 6, 7 e 8 (que, segundo a própria Atari, pertencem a um universo ficcional diferente). Essa cooperação já rendeu frutos recentemente com o remake 3D de Proving Grounds of the Mad Overlord, lançado em 2024, que inclusive venceu um Grammy pela sua trilha sonora.

Por que Wizardry ainda é relevante hoje?

Para o público mais jovem, o nome Wizardry pode não ressoar tanto quanto The Witcher ou Elden Ring, mas a importância histórica é imensurável. Sem o trabalho de Woodhead e Greenberg, o gênero RPG japonês (JRPG) talvez nem existisse da forma que conhecemos. No Japão, a franquia se tornou um fenômeno cultural tão grande que gerou dezenas de spin-offs, mangás e até um OVA (Original Video Animation) em 1991.

A complexidade estratégica, a criação de personagens baseada em atributos clássicos de Dungeons & Dragons e a punição severa pela morte (o famoso "permadeath" ou perda de progresso) criaram uma base de fãs extremamente leal. Ao adquirir esses direitos, a Atari se posiciona como a curadora de uma peça fundamental da história dos videogames, seguindo sua tendência recente de comprar estúdios focados em preservação e revitalização, como a Nightdive Studios e a Digital Eclipse.

O que esperar do futuro da franquia

Com a Atari no comando dos títulos clássicos, os fãs podem esperar uma abordagem semelhante ao que foi feito com a linha Atari 50 ou os lançamentos da Nightdive. Isso significa:

  • Preservação Digital: Versões otimizadas para rodar em hardware moderno sem a necessidade de emuladores complexos.
  • Edições de Colecionador: Lançamentos físicos luxuosos que celebram a arte original das caixas e manuais da década de 80.
  • Expansão de Lore: Novos livros ou HQs que explorem o mundo de Llylgamyn e o Overlord Trebor.
  • Cross-media: Possíveis adaptações em animação ou live-action, aproveitando o sucesso de produções como Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes.

Ainda não há datas confirmadas para os primeiros lançamentos sob este novo acordo, mas a movimentação indica que a Atari está disposta a investir pesado para que Wizardry deixe de ser apenas uma memória de nicho e volte a ser um nome forte no mercado global de RPGs.

Por que isso importa

  • Preservação Histórica: Garante que os jogos que fundaram o gênero RPG não fiquem perdidos em direitos autorais nebulosos.
  • Revitalização da Atari: Consolida a empresa como uma potência no mercado de retrogaming e IPs clássicas.
  • Potencial de Novos Jogos: Abre a porta para sequências ou reboots que mantenham a alma dos originais, mas com tecnologia moderna.
  • Mercado Multimídia: Indica que veremos Wizardry em outras mídias além dos computadores e consoles.

Perguntas frequentes

A Atari comprou todos os jogos de Wizardry?
Não. A Atari adquiriu os direitos e a propriedade intelectual apenas dos cinco primeiros jogos da série (Wizardry I ao V). Os jogos Wizardry 6, 7 e 8 pertencem à empresa japonesa Drecom.
Quem é o dono da marca Wizardry?
A marca registrada (trademark) global de Wizardry continua pertencendo à Drecom. A Atari possui os direitos específicos sobre o conteúdo e o universo dos cinco primeiros títulos clássicos.
Haverá novos jogos de Wizardry pela Atari?
Sim, a Atari manifestou interesse em criar novos lançamentos baseados na propriedade intelectual dos cinco primeiros jogos, além de remasters e coleções dos títulos originais.
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