A agência ASND confirmou em 19 de agosto de 2026 que iniciará processos judiciais contra autores de comentários maliciosos, assédio sexual e disseminação de informações falsas direcionados às integrantes do grupo fromis_9 e à solista Wendy, integrante do Red Velvet. O comunicado oficial cita explicitamente ataques à aparência física, objetificação sexual e difamação como alvos prioritários da ofensiva legal.
O que motivou o endurecimento da ASND
Segundo o comunicado divulgado pela própria agência, mesmo após avisos prévios, a equipe jurídica continua identificando publicações e comentários que violam a dignidade das artistas. O texto destaca que "atos que violam a dignidade e os direitos de nossas artistas, como fazer comentários sexuais sobre partes específicas do corpo, zombar ou degradar sua aparência ou corpo, e disseminar maliciosamente informações falsas, não podem ser considerados simplesmente expressões de opinião ou liberdade de expressão. Eles constituem atos claros de difamação".
A agência reforça que coletará provas de posts atuais e futuros, adotando "medidas ativas independentemente da gravidade do caso". A promessa é de monitoramento contínuo e ação judicial forte através dos procedimentos legais necessários.
Perfil das artistas protegidas pela ação
fromis_9: grupo feminino de nove integrantes
Debutado em 2018 via programa de sobrevivência Idol School, o fromis_9 (pronuncia-se "promise nine") é conhecido por títulos como "DM", "WE GO" e "Stay This Way". O grupo migrou da Off The Record Entertainment para a ASND em 2024, mantendo as nove integrantes originais: Saerom, Hayoung, Jiwon, Jisun, Seoyeon, Chaeyoung, Nagyung, Jiheon e Gyuri.
Wendy: vocalista principal do Red Velvet
Wendy (Shon Seung-wan) integra o Red Velvet desde o debut em 2014, sendo uma das vocalistas mais respeitadas da terceira geração do K-pop. Além do trabalho em grupo — hits como "Red Flavor", "Psycho" e "Queendom" —, lançou o EP solo "Like Water" (2021) e participou de trilhas sonoras para dramas como Start-Up e Our Beloved Summer. A artista também atua como DJ de rádio e apresentadora.
Como a indústria coreana lida com crimes cibernéticos
O movimento da ASND segue padrão crescente entre agências sul-coreanas. HYBE, SM Entertainment, JYP Entertainment e YG Entertainment mantêm equipes jurídicas dedicadas ao monitoramento de comunidades online, fóruns como DC Inside, TheQoo e redes sociais. Em 2023, a Lei de Punimento de Crimes de Informação e Comunicação foi alterada para aumentar penas por difamação online — podendo chegar a sete anos de prisão quando há intuito de lucro ou reincidência.
Casos recentes de destaque incluem a condenação de haters que atacaram a atriz Sulli (falecida em 2019) e a vitória judicial da IU contra youtubers que lucravam com conteúdo difamatório. A estratégia padrão envolve: coleta de prints e logs, registro de boletim de ocorrência na Unidade de Investigação Cibernética da Polícia Metropolitana de Seul, e pedido de indenização civil paralela ao processo criminal.
O que muda para fãs e comunidades brasileiras
Embora a jurisdição seja coreana, a atuação de agências tem alcance internacional quando servidores ou autores são identificados fora do país. No Brasil, fã-clubes organizados de K-pop costumam atuar como "vigias" voluntários, reportando perfis suspeitos às agências via e-mails oficiais (ex.: [email protected]). A ASND não divulgou canais específicos para denúncias internacionais no comunicado de 19 de agosto.
Para criadores de conteúdo no YouTube, TikTok ou Twitter/X: reproduzir traduções não autorizadas de comentários maliciosos, mesmo com intuito de "expor", pode configurar republicação de difamação. A orientação jurídica padrão é não amplificar o conteúdo ofensivo — apenas reportar e bloquear.
Comparativo: posicionamento das grandes agências em 2024-2026
| Agência | Artistas notáveis | Último comunicado público anti-ódio | Medidas anunciadas |
|---|---|---|---|
| ASND | fromis_9, Wendy (Red Velvet) | 19 ago 2026 | Processos criminais + civis, monitoramento contínuo, sem limite de gravidade |
| HYBE | BTS, SEVENTEEN, NewJeans, LE SSERAFIM | Mar 2026 | Equipe jurídica global, parceria com plataformas, relatórios trimestrais de ações |
| SM Entertainment | Red Velvet, aespa, NCT, EXO | Jan 2026 | Centro de proteção de direitos, ação contra deepfakes sexuais |
| JYP Entertainment | TWICE, Stray Kids, ITZY, NMIXX | Dez 2025 | Sistema de denúncia anônima, processos por calúnia e assédio sexual |
Vereditos: o melhor pra cada perfil
Para fãs que querem ajudar
Use apenas canais oficiais de denúncia da agência. Não faça "justiça" por conta própria — doxxing ou contra-ataques expõem você a processos. Printscreen com timestamp, URL completa e ID do autor são as provas mais úteis.
Para criadores de conteúdo sobre K-pop
Evite traduzir ou repercutir comentários de ódio, mesmo para criticá-los. Algoritmos de plataformas podem sinalizar seu canal como disseminador de discurso de ódio. Foque em notícias oficiais, conquistas das artistas e análises musicais.
Para a indústria do entretenimento brasileira
O caso ASND serve de referência para gestão de crise e proteção de talentos. A clareza do comunicado — listando tipologias de crime (injúria racial, assédio sexual, difamação caluniosa) — facilita o trabalho de advogados e delegacias especializadas.
O que falta saber
- Se a ASND divulgará balanço trimestral de processos protocolados e sentenças obtidas, prática adotada pela HYBE desde 2023.
- Se haverá parceria com plataformas globais (YouTube, X, TikTok) para remoção ágil de conteúdo sinalizado, como fez a SM Entertainment em 2024.
- Como a agência lidará com jurisdições fora da Coreia do Sul — se acionará escritórios de advocacia locais ou usará tratados de cooperação jurídica internacional.
Para ficar no radar
A ofensiva da ASND sinaliza que agências médias — não apenas as "Big 4" — estão estruturando departamentos jurídicos robustos. O próximo passo natural é a padronização de relatórios de transparência, exigidos por fãs e investidores. No Brasil, onde o K-pop movimenta turnês, merchandise e streaming em escala milionária, a proteção de imagem das artistas impacta diretamente contratos de publicidade e licenciamento. Acompanhar os desdobramentos judiciais nos próximos meses dirá se a estratégia de "tolerância zero independentemente da gravidade" se sustenta na prática processual coreana.


