TL;DR: Tetsuro Araki e Tetsuya Nakatake relembram os perrengues da produção de Attack on Titan, seu papel na explosão global do anime e dão pistas sobre os próximos projetos da Wit Studio.
O que aconteceu
Durante a Anime Expo 2026, em Los Angeles, o diretor de Attack on Titan (temporadas 1 a 3) Tetsuro Araki e o produtor de animação Tetsuya Nakatake concederam entrevista exclusiva. Eles falaram sobre a sensação de ver o anime ainda ser assistido por fãs brasileiros, inclusive por filhos que cresceram com a série no Netflix. O ponto de partida foi a lembrança de que, ao final da 24ª episódio da primeira temporada, o assistente de direção Hiroyuki Tanaka precisou ser hospitalizado por exaustão – um sinal claro de que a produção estava no limite.
Araki descreve o momento como um “milagre”, não porque a equipe tenha criado algo sobrenatural, mas porque o produto final superou expectativas de vendas e de alcance cultural. Ele ressalta que o impacto da série foi tão grande que ainda hoje, ao mostrar um clipe curto em eventos, a reação do público é instantânea.
Como chegamos aqui
O sucesso de Attack on Titan não foi imediato. Quando a primeira temporada começou a ser transmitida, Araki admite que não acreditava que o anime venderia bem em dvds ou blu‑rays. Ainda assim, a equipe trabalhou com a convicção de que estavam criando algo de alta qualidade. Essa confiança foi recompensada quando a adaptação ajudou a alavancar a popularidade do mangá original, que até então tinha um público restrito.
O desafio maior surgiu na produção dos storyboards. Araki explica que, para garantir a qualidade visual – sobretudo as sequências de ação com o equipamento ODM – ele gastava tempo excessivo nos desenhos, o que deixava a equipe em uma corrida contra o relógio. Nakatake complementa que, quando os storyboards chegavam perto da data de transmissão, a pressão era tal que “não dava para ficar sorrindo”.
Para lidar com esses perrengues, a Wit Studio reorganizou sua estrutura entre a primeira e a segunda temporada. O produtor George Wada negociou mudanças no cronograma de transmissão e reforçou o time de animadores. O resultado foi uma produção mais estável, embora ainda custosa – Nakatake brinca que “gastaram muito dinheiro”.
O que realmente diferenciou Attack on Titan foi a sinergia entre ação e drama. Araki afirma que cenas de grande escala e violência intensificada servem como “rodas” que impulsionam o impacto emocional da história. Essa abordagem se tornou um marco visual, lembrado até hoje pelos fãs brasileiros que ainda citam as cenas de titãs e o voo dos personagens como referência de qualidade.
- Storyboard detalhado e demorado – garantia de qualidade visual.
- Reorganização da equipe entre as temporadas 1 e 2 para maior estabilidade.
- Uso intensivo de ação para potencializar o drama narrativo.
- Impacto global impulsionado pela transmissão em plataformas como Netflix.
O que vem depois
Ao encerrar a entrevista, Araki e Nakatake falaram sobre o futuro da Wit Studio. O próximo projeto anunciado é LONA, um anime original que deve estrear em abril de 2027. Além disso, Araki está desenvolvendo um novo trabalho que envolve pesquisa de armas de fogo – motivo da visita à Los Angeles.
Para os fãs brasileiros, a continuidade da série sob a direção da MAPPA – que assumiu a produção a partir da quarta temporada – traz esperança de que o “milagre” continue. Araki acredita que a MAPPA elevou ainda mais o padrão de qualidade, consolidando Attack on Titan como um legado cultural que dificilmente será replicado.
Em resumo, a entrevista revela que o sucesso da obra não foi apenas sorte, mas resultado de esforço extremo, adaptações de produção e um entendimento claro de como combinar ação espetacular com drama profundo. Para quem acompanha a série desde o início, esses detalhes explicam por que Attack on Titan ainda ressoa no fandom brasileiro, seja nas maratonas no Netflix ou nas discussões em fóruns de anime.
Para ficar no radar
Os próximos passos da Wit Studio, como LONA, prometem trazer novas referências visuais que podem influenciar futuros animes de ação. Enquanto isso, a comunidade brasileira deve ficar atenta às reedições de Attack on Titan em formatos físicos, que costumam aparecer em lojas especializadas durante eventos como a CCXP.


