Os envios globais de smartphones recuaram 11% no último trimestre, marcando a menor taxa de crescimento desde 2013, porém Apple e Samsung ainda conseguem crescer ou manter seus volumes.
O que aconteceu?
Um relatório da Counterpoint Research mostrou que, no segundo trimestre de 2026, a indústria de smartphones registrou a maior queda percentual dos últimos 13 anos. A principal causa apontada pelos analistas foi o aumento dos preços dos chips de memória – dram e nand – que alimentam tanto smartphones quanto computadores. Quando os custos de memória sobem, os fabricantes reduzem a produção de dispositivos de consumo para priorizar o segmento de IA, que exige maior capacidade de processamento.
Essa pressão de custos tem um efeito cascata: consumidores ficam menos dispostos a trocar de aparelho, principalmente nas faixas de preço mais baixas. Um estudo da Omdia destacou que, para smartphones com preço até US$ 500, a memória pode representar até 50% do custo total de fabricação, enquanto nos modelos premium esse número gira em torno de 25%.
Como chegamos aqui?
Para entender o cenário atual, é preciso olhar a trajetória dos últimos anos:
- Planalto de crescimento (até 2019) – As vendas de smartphones cresceram em ritmo duplo‑digitos, impulsionadas por lançamentos frequentes e pela expansão de mercados emergentes.
- Estabilização (2020‑2022) – O mercado atingiu um ponto de saturação; as vendas começaram a se estabilizar, mas ainda mantinham leve crescimento.
- Escassez de componentes (2023‑2025) – A demanda por IA gerou uma corrida por DRAM e NAND, elevando os preços e limitando a disponibilidade de chips para aparelhos de consumo.
- Queda histórica (Q2 2026) – O aumento dos custos de memória provocou a maior queda de envios já vista, com um recuo de 11% em relação ao trimestre anterior.
Entre os principais fabricantes, apenas Apple e Samsung conseguiram manter ou melhorar seus volumes. A Apple registrou um crescimento de 3% nos envios, enquanto a Samsung manteve-se no topo da lista, apesar de uma leve retração em relação ao trimestre anterior. Já Oppo, Vivo e Xiaomi apresentaram quedas significativas, refletindo sua maior dependência de dispositivos de preço médio e baixo.
O que vem depois?
Com a tendência de alta nos preços de memória, o mercado deve passar por algumas transformações nos próximos trimestres:
- Reajuste de preços – Fabricantes podem repassar parte dos custos ao consumidor, especialmente nos segmentos de entrada.
- Foco em premium – Marcas como Apple e Samsung tendem a concentrar esforços em modelos high‑end, onde a margem de lucro ainda compensa o aumento de custos.
- Inovações de arquitetura – Expectativa de que novos designs de chips integrados (system‑on‑chip) reduzam a dependência de memória externa.
- Expansão de IA – Dispositivos que já incorporam IA local podem ganhar vantagem competitiva, justificando preços mais altos.
Para os consumidores, a mensagem principal é ficar atento ao custo‑benefício. Se você busca um aparelho barato, pode ser necessário aceitar um preço maior ou esperar por promoções. Já quem pretende adquirir um smartphone premium, ainda encontrará opções competitivas, pois a Apple e a Samsung continuam a oferecer dispositivos com boa relação entre desempenho e preço.
O que falta saber
Embora os números mostrem uma queda geral, ainda há nuances que merecem atenção:
• Distribuição regional: A queda foi mais pronunciada em mercados emergentes, onde a sensibilidade ao preço é maior. Nos EUA e Europa, os volumes permaneceram mais estáveis.
• Impacto nas cadeias de suprimentos: Fabricantes de componentes como a Micron Technology e a SK Hynix podem ver aumento de demanda por soluções de memória mais eficientes.
• Próximos lançamentos: A Apple deve apresentar novos iPhones no outono de 2026; se mantiver preços estáveis, pode ampliar ainda mais seu crescimento.
Em resumo, o mercado de smartphones está em um ponto de inflexão. Enquanto a escassez de memória pressiona os preços, as gigantes Apple e Samsung demonstram resiliência, indicando que a disputa agora se concentra em inovação, eficiência de custos e capacidade de atender à demanda por IA.


