Andy Weir, o renomado autor de ficção científica por trás de sucessos como perdido em marte (The Martian) e projeto hail mary (Project Hail Mary), defende que a série the orville é, atualmente, a melhor herdeira do legado de star trek (Jornada nas Estrelas). Para o escritor, a produção criada por Seth MacFarlane consegue equilibrar o rigor científico com o espírito de exploração otimista que as séries oficiais recentes da franquia parecem ter deixado de lado.
Andy Weir afirma que The Orville é a melhor série de Star Trek no ar
Qual foi a última vez que você assistiu a uma série de ficção científica que realmente te deixou esperançoso sobre o futuro da humanidade? Para Andy Weir, essa resposta não está necessariamente em uma produção que carrega o nome oficial da Federação Unida de Planetas. Em uma interação pública com Seth MacFarlane — criador de family guy (Uma Família da Pesada) e protagonista de The Orville —, Weir declarou que a série é o substituto perfeito para os fãs órfãos do estilo clássico de Star Trek.
O autor, conhecido por seu compromisso com a "hard sci-fi" (ficção científica fundamentada em leis reais da física), destacou que The Orville não é apenas uma paródia, mas uma homenagem técnica de alto nível. Weir elogiou especificamente a forma como a série lida com conceitos complexos, como a dilatação temporal — um fenômeno da física onde o tempo passa de forma diferente para objetos que se movem a velocidades próximas à da luz. Segundo o autor, a série utilizou a física de Einstein de maneira correta, mostrando inclusive o blue-shifting (desvio para o azul) e o red-shifting (desvio para o vermelho) das estrelas enquanto a nave viajava, algo raramente visto com tanta precisão na televisão.
Contexto: por que a comparação faz tanto sentido?
Para quem não está familiarizado, The Orville começou em 2017 como uma comédia dramática que visivelmente mimetizava a estrutura de Star Trek: The Next Generation (Jornada nas Estrelas: A Nova Geração). A nave USS Orville (ECV-197) possui uma classificação que remete diretamente à famosa USS Enterprise (NCC-1701-D). Em vez da Federação, temos a União Planetária; em vez da Frota Estelar, temos uma frota de naves com oficiais em uniformes coloridos divididos por funções.
No entanto, a conexão vai muito além da estética. A série recrutou diversos veteranos da franquia original para garantir que o "DNA" fosse preservado. Confira alguns nomes que atravessaram as fronteiras das galáxias:
- Jonathan Frakes: O eterno Comandante William Riker de The Next Generation dirigiu episódios fundamentais de The Orville.
- Marina Sirtis: Conhecida como a Conselheira Deanna Troi, fez participações especiais na série de MacFarlane.
- Robert Picardo: O Doutor Holográfico de Star Trek: Voyager também marcou presença no elenco.
- Penny Johnson Jerald: Que teve um papel recorrente em Star Trek: Deep Space Nine, é parte do elenco principal de The Orville como a Dra. Claire Finn.
Essa proximidade criativa permitiu que The Orville capturasse a essência de episódios autocontidos, focados em dilemas morais, diplomacia e descobertas científicas, algo que definiu a era de ouro de Star Trek sob o comando de Gene Roddenberry.
Reação dos fãs: otimismo versus o tom sombrio do mercado
A afirmação de Andy Weir ressoa com uma parcela significativa da base de fãs (os chamados Trekkies) que se sentiu alienada pelas produções recentes da Paramount+. Sob a supervisão do produtor executivo Alex Kurtzman, séries como Star Trek: Discovery e Star Trek: Picard adotaram um tom muito mais sombrio, violento e focado em narrativas serializadas de vingança ou catástrofes galácticas.
Enquanto o "Nu-Trek" (termo usado para as séries modernas) mergulhava no chamado grimdark — um subgênero da ficção caracterizado por um tom pessimista e brutal —, The Orville manteve a chama da curiosidade e da tolerância acesa. Para Weir e muitos críticos, a série de MacFarlane celebra a inteligência e a aceitação de culturas diferentes, tratando a ciência não apenas como um acessório de roteiro (o famoso technobabble ou "tecnolero"), mas como uma ferramenta central da narrativa.
A recepção do mercado mostra que há um desejo por esse tipo de narrativa. Embora tenha começado com críticas mistas devido ao marketing que a vendia apenas como uma comédia de piadas bobas, The Orville evoluiu para um drama de ficção científica respeitado, alcançando notas altíssimas de audiência em plataformas como o Rotten Tomatoes.
O que esperar do futuro de The Orville e da franquia Trek
Atualmente, o cenário para os fãs de exploração espacial é de transição. Enquanto a franquia oficial de Star Trek se prepara para encerrar algumas de suas séries atuais e focar em novos projetos como Starfleet Academy, o destino de The Orville permanece em um hiato esperançoso. Seth MacFarlane já confirmou que possui a intenção de produzir uma quarta temporada, mas sua agenda lotada com outros projetos (como a série de Ted) tem atrasado o cronograma.
Para quem busca o que há de melhor no gênero, os pontos abaixo resumem por que vale a pena dar uma chance à visão de MacFarlane e Weir:
- Fidelidade aos temas clássicos: A série foca em cooperação e exploração, evitando o pessimismo excessivo das distopias modernas.
- Ciência respeitada: Como apontado por Andy Weir, a série se esforça para manter conceitos físicos reconhecíveis, mesmo dentro da fantasia espacial.
- Evolução constante: A cada temporada, a produção melhora seus efeitos visuais e a profundidade de seus roteiros, distanciando-se do humor pastelão inicial.
- Acessibilidade: É uma excelente porta de entrada para quem nunca assistiu Star Trek, pois explica seus conceitos de forma didática e orgânica.
Seja você um veterano das naves estelares ou um entusiasta das obras de Andy Weir, The Orville se provou mais do que uma simples cópia; tornou-se um farol de como a ficção científica pode nos inspirar a olhar para as estrelas com admiração, e não apenas com medo.


