Phil Adam, CEO da amico, admitiu que está trabalhando sem receber salário e que a empresa tem apenas seis meses para decidir o futuro do console que ainda não pagou nenhum colaborador.
O que aconteceu
Em entrevista concedida ao Scene World Magazine, Phil Adam revelou que ele e "alguns outros consultores" continuam dedicados ao projeto Amico sem remuneração. O objetivo, segundo o executivo, é garantir "pagamento retroativo" caso consigam ressuscitar o console, que há tempos está atolado em dívidas e sem produção de unidades. A entrevista, que também foi citada no Completely Unnecessary Podcast, trouxe à tona a crua realidade de um projeto que, apesar de todo o hype nostálgico, ainda não entregou nenhum produto comercial.
O ponto central do discurso de Adam foi a frase de efeito: "Temos que fazer algo acontecer nos próximos seis meses". Essa janela de tempo, que ele descreve como o prazo máximo para definir se o Amico sobreviverá ou será abandonado, está gerando um clima de urgência que reverbera tanto entre investidores quanto entre a comunidade geek que acompanha o caso.
Como chegamos aqui
Para entender a gravidade da situação, é preciso recuar alguns anos. O Amico nasceu como a tentativa de reviver a marca Intellivision, que, na década de 80, foi um dos pioneiros dos consoles domésticos nos Estados Unidos. Quando a empresa original foi comprada e a marca ficou sob controle de novos investidores, surgiu a ideia de criar um console moderno, mas com a estética e o espírito dos primeiros videogames.
O projeto ganhou força em 2022, quando o ex-compositor de jogos Tommy Tallarico, conhecido por seu trabalho em trilhas sonoras de títulos como "Earthworm Jim", assumiu a liderança da campanha de financiamento. A promessa era clara: um console híbrido, capaz de rodar jogos retro via emulação e ainda oferecer títulos indie desenvolvidos especificamente para a plataforma.
Entretanto, desde o início, o Amico enfrentou obstáculos:
- Problemas de licenciamento: a marca intellivision não pôde ser utilizada livremente, forçando a equipe a adotar o nome "Amico".
- Desconfiança de investidores: a falta de um protótipo funcional e a ausência de parcerias consolidadas geraram dúvidas sobre a viabilidade comercial.
- Comunicação inconsistente: atualizações esporádicas e promessas não cumpridas criaram um clima de ceticismo entre a comunidade.
Esses fatores, combinados com a crise econômica global que afetou o fluxo de capital para startups de hardware, fizeram com que o Amico entrasse em um limbo financeiro. Quando a Time Extension publicou a matéria completa em setembro de 2026, ficou evidente que a empresa estava operando sem recursos suficientes para pagar salários, o que culminou na declaração de Adam sobre o trabalho voluntário.
O que vem depois
Com o prazo de seis meses marcado, a pergunta que paira no ar não é apenas se o Amico vai ser lançado, mas se ele ainda tem alguma credibilidade para atrair fundos. Existem dois caminhos possíveis:
- Resgate via financiamento externo: se Adam e sua equipe conseguirem fechar um acordo com um investidor estratégico — talvez uma empresa de software que queira usar o hardware como plataforma de distribuição — o console poderia receber o capital necessário para produção em massa. Nesse cenário, o pagamento retroativo aos consultores seria viável, e o Amico poderia finalmente chegar ao mercado.
- Abandono e liquidação: caso não haja interesse suficiente, a empresa pode ser forçada a encerrar as operações, vender ativos (como patentes ou o nome Intellivision) e deixar o projeto como mais um caso de "console fantasma". Essa opção resultaria em prejuízo para todos os envolvidos, inclusive para os fãs que ainda acreditam na proposta.
Do ponto de vista do consumidor, a situação traz lições importantes. Enquanto a nostalgia pode ser um motor de vendas poderoso, ela não substitui um plano de negócios sólido e uma execução transparente. O Amico, ao prometer reviver a era dos 8‑bits, acabou se tornando um exemplo de como a falta de capitalização adequada pode transformar um sonho em um fardo para quem está por trás.
Por outro lado, ainda há quem defenda que projetos como o Amico são essenciais para manter viva a cultura dos consoles retro. Eles criam espaço para desenvolvedores indie experimentarem formatos diferentes e mantêm viva a memória de gerações que cresceram com jogos simples, porém marcantes. Se a comunidade conseguir mobilizar apoio suficiente — seja por meio de pré-vendas, crowdfunding ou parcerias de conteúdo — talvez ainda haja esperança.
Onde isso pode dar
Se o Amico conseguir cumprir a meta dos seis meses, o mais provável é que vejamos um lançamento limitado, talvez apenas para colecionadores, com um número restrito de unidades produzidas. Essa estratégia de "edição limitada" poderia gerar um buzz imediato, mas também deixaria de fora a maioria dos interessados, gerando críticas sobre exclusividade.
Entretanto, se o prazo expirar sem um acordo financeiro, o console provavelmente será relegado ao mito dos projetos abortados. Isso não significa que a ideia esteja morta; outras empresas podem aprender com os erros da Amico e lançar suas próprias versões de consoles retro, mas com estruturas de financiamento mais robustas.
Em última análise, o que está em jogo não é apenas o futuro de um hardware, mas a confiança da comunidade geek em projetos de nicho. A transparência, a capacidade de pagar a equipe e a entrega de um produto funcional são requisitos não negociáveis. Enquanto o Amico tenta provar que ainda pode cumprir esses requisitos, o relógio continua correndo.
FAQ
- Quando o Amico deve ser lançado? Ainda não há data oficial; o CEO declarou que o projeto tem até seis meses para definir seu futuro, mas nenhum prazo de produção foi anunciado.
- O que acontece se o Amico não conseguir financiamento? A empresa pode encerrar as operações, vender ativos e o console permanecerá como um projeto não concluído.
- Tommy Tallarico ainda está envolvido? Sim, ele continua ativo na busca de fundos, embora não tenha sido mencionado como parte direta da equipe de desenvolvimento atual.


