O que torna a protagonista de Always a Catch diferente das outras vilãs?
O subgênero de fantasia conhecido como "vilã" (ou villainess) costuma seguir uma fórmula rígida: uma nobre reencarnada ou injustiçada que usa sua inteligência para manipular a política da corte e evitar um destino trágico. Always a Catch!, anime baseado na obra original de Mayo Momoyo, decide jogar esse manual pela janela. Em vez de apenas tramar nos bastidores, a protagonista Mimi é uma força da natureza que prefere resolver conflitos com os punhos, misturando a etiqueta da nobreza com técnicas de combate que deixariam qualquer guarda real atordoado.
Para entender como essa personagem foi criada, nossa equipe conversou com nomes fundamentais da produção, incluindo o designer de personagens Isamu Suzuki e a diretora de animação de ação Kanako Ota. O consenso é claro: Mimi não é uma dama convencional, e sua construção visual e comportamental foi pensada justamente para gerar esse choque cultural dentro da narrativa.
5 pilares que definem a personalidade e o combate de Mimi
- O acessório icônico: A marca registrada de Mimi é um adorno de cabelo que, na verdade, é um soco-inglês cravejado de joias. O diretor Akira Oguro insistiu que ela usasse o item constantemente para que o público associasse imediatamente sua identidade à sua natureza combativa, transformando um objeto de luxo em uma arma prática.
- Estilo de luta eclético: Diferente de outros animes de fantasia que focam em magia, o combate de Mimi é um "hodgepodge" (mistura) de estilos reais. A equipe de animação se inspirou em karatê, sumô e até movimentos de pro-wrestling, adaptando golpes de lutas reais para que ela pudesse enfrentar seus oponentes com criatividade.
- A linguagem corporal sem filtro: Enquanto outras nobres da obra, como Aida e Rosalia, foram treinadas para suprimir emoções e se mover com contenção, Mimi é o oposto. Ela é expansiva, fala o que pensa sem malícia e não tem medo de gesticular ou agir de forma impulsiva, o que a torna uma personagem muito mais expressiva e dinâmica para os animadores.
- Desafios da animação de vestuário: Animar uma personagem que luta usando um vestido longo e pesado exige um trabalho técnico rigoroso. A diretora Kanako Ota revelou que, em cenas de ação, a equipe precisa calcular o atraso no movimento da saia para dar peso ao traje, chegando a ignorar a lógica de anáguas em certos momentos para garantir que a posição das pernas de Mimi fique clara durante os golpes.
- Resiliência emocional: Além da força física, a série explora o lado humano de Mimi após ela perder seu direito de sucessão devido ao nascimento de um irmão mais novo. A produção optou por não focar em um drama excessivamente pesado, retratando Mimi como alguém que, apesar do baque, olha sempre para frente e se dedica a proteger aqueles que ama.
Como a adaptação expandiu o material original
Adaptar uma light novel ou mangá para um formato de 12 episódios exige escolhas difíceis. A equipe de produção, liderada pela roteirista Michiko Yokote, tomou a decisão consciente de expandir elementos que apareciam apenas em histórias extras ou bônus. O objetivo foi dar mais profundidade à vida escolar de Mimi, mostrando que, apesar das batalhas e das intrigas políticas, ela ainda vivencia o cotidiano de uma jovem estudante.
"Queríamos que o público sentisse que eles realmente estão vivendo vidas normais, apesar de todas as circunstâncias extraordinárias", explicou a produtora Minako Kawamata sobre a inclusão de cenas de slice-of-life que não estavam presentes na obra original.
Essa expansão também serviu para equilibrar o ritmo do anime. Ao reorganizar a ordem dos eventos, a produção conseguiu manter o engajamento do espectador, garantindo que o choque inicial da trama — a cena do rompimento do noivado — fosse seguido por momentos que justificam o carisma da protagonista. A ideia é que o espectador não apenas assista à jornada de Mimi, mas se sinta como um amigo ou familiar torcendo por ela em cada desafio.
Datas e o que vem depois
Atualmente, Always a Catch! está disponível via streaming na plataforma Crunchyroll para o público da América do Norte. Para os fãs brasileiros, a expectativa é que a distribuição acompanhe os cronogramas globais da plataforma, mas até o momento não há uma data confirmada para dublagem em português ou expansões de mídia além da série animada. O que resta saber é se o sucesso da primeira temporada abrirá portas para a adaptação dos arcos futuros que ainda não foram totalmente explorados nas telas.


