Alfre Woodard quase virou personagem fixa em Star Trek: A Nova Geração
Se você é fã de Star Trek: First Contact (1996) — o filme onde a tripulação da Enterprise volta no tempo para garantir que a humanidade invente o motor de dobra —, talvez já tenha se perguntado por que a Lily Sloane não apareceu mais. A resposta curta? Ela quase se tornou uma personagem recorrente, mas o plano de um romance com o capitão Picard foi pro espaço antes mesmo de sair do papel.
Contexto: por que importa
No longa, Lily Sloane (Alfre Woodard) é a assistente de Zefram Cochrane (James Cromwell), o cientista excêntrico que inventou a viagem mais rápida que a luz. Quando os Borgs — aquela raça cibernética que adora um upgrade não solicitado — atacam, Lily acaba indo parar na Enterprise e vira o espelho da consciência do Capitão Picard (Patrick Stewart). É ela quem, com toda a calma de quem não tem nada a perder, joga na cara dele que ele está agindo como o Capitão Ahab, obcecado em destruir os Borgs a qualquer custo.
A ideia original dos roteiristas não era apenas ter uma participação especial. Segundo registros da época, como os da revista Cinefantastique, a intenção era que Lily Sloane se tornasse uma figura regular na franquia. O plano envolvia:
- Desenvolver um arco romântico entre ela e Picard durante o filme.
- Trazer a personagem para o século 24, integrando-a permanentemente ao elenco.
- Criar uma dinâmica de longo prazo entre a mulher do século 21 e o capitão futurista.
Reação dos fãs e mercado
Apesar da química inegável entre Woodard e Stewart na tela, o romance foi cortado cedo no processo de escrita. Ronald D. Moore, um dos roteiristas de First Contact, explicou que a decisão veio pela falta de verossimilhança. Afinal, a trama do filme se passa em um intervalo de apenas dois dias. Para os roteiristas, seria forçar demais a barra fazer os dois se apaixonarem perdidamente a ponto de ela abandonar sua própria linha do tempo e viver no futuro em menos de 48 horas.
Além disso, a estrutura de filmes da era The Next Generation funcionava quase como uma série de episódios independentes. Ao manter Picard solteiro, a produção tinha liberdade para introduzir novos interesses amorosos em cada filme — uma estratégia muito parecida com a de Seinfeld, onde cada namorada durava apenas o tempo necessário para o arco da história. Em Star Trek: Insurrection (1998), por exemplo, vimos Anij (Donna Murphy) assumindo esse papel.
O que esperar
Hoje, olhando para trás, é fácil ver como a presença de Alfre Woodard teria mudado o tom dos filmes seguintes. Ela trouxe uma humanidade crua para um universo que, às vezes, se perde demais na tecnobaboseira científica. Embora a oportunidade tenha passado, o legado de Lily Sloane como a voz da razão que colocou Picard no seu devido lugar permanece como um dos momentos mais icônicos da franquia.
Para quem ainda sonha com um "e se", fica o consolo de que a performance de Woodard foi impecável, mesmo sendo uma participação única. O mercado de Hollywood mudou muito desde os anos 90, e hoje em dia, com o formato de séries de streaming, talvez esse romance tivesse tido o tempo necessário para respirar e se concretizar. Mas, no cânone atual, Lily Sloane continua sendo aquela personagem que, em um momento de desespero, foi a única capaz de segurar o espelho para um dos capitães mais teimosos da Frota Estelar.
O que falta saber
Embora a possibilidade de vermos Lily Sloane novamente seja praticamente nula, o universo de Star Trek continua se expandindo com novas séries e spin-offs. A pergunta que fica para os fãs mais dedicados é:
- Será que algum dia veremos um retorno de personagens clássicos em formatos de antologia?
- Se o romance tivesse acontecido, como isso afetaria o desenvolvimento emocional de Picard nos filmes subsequentes?
- Existem outros roteiros de First Contact que foram descartados e que mudariam completamente o destino da tripulação da Enterprise?


