Adam Wingard dirigiu dois dos maiores sucessos da franquia monsterverse, mas revelou que a maior frustração foi não conseguir imprimir sua identidade musical nas produções.
O que aconteceu
Em 2021, Wingard assumiu a direção de godzilla vs. kong, primeira grande produção de Hollywood a ser lançada após a reabertura dos cinemas pós‑pandemia. O filme quebrou recordes de bilheteria e se tornou um marco para o gênero de monstros. Em 2024, o diretor retornou ao mesmo universo com Godzilla x Kong: The New Empire, que superou todos os títulos anteriores ao arrecadar mais de US$ 570 milhões mundialmente, tornando‑se o filme de Godzilla mais lucrativo da história.
Apesar do sucesso comercial, Wingard apontou que o aspecto criativo que mais o incomodou foi a trilha sonora. Em entrevista após a exibição de onslaught – filme que ele descreve como um “segue‑secreto” de The Guest – o diretor elogiou a música de Matthew Pusti, mas ressaltou que nos filmes do MonsterVerse não pôde aplicar seu gosto por sonoridades dos anos 80, inspiradas em john carpenter. Em vez disso, a produção contou com composições de Junkie XL (Tom Holkenborg) e, no caso de The New Empire, com auxílio de Antonio Di Iorio.
Como chegamos aqui
Wingard começou sua carreira com o thriller indie You’re Next, que se destacou nas bilheterias e lhe abriu portas para projetos maiores. Depois de The Guest, ele foi convidado pela Warner Bros. e Legendary a dirigir Godzilla vs. Kong. No processo de escolha da trilha, o diretor tentou inserir Matthew Pusti, que já havia colaborado em pré‑visualizações de Death Note. Contudo, o estúdio impôs um “workflow” rígido, oferecendo apenas três compositores de confiança para a decisão final.
Wingard descreveu o momento como "receber o primeiro soco de um grande estúdio". Ele acabou aceitando a escolha de Junkie XL, que trouxe um som mais eletrônico e orquestral, distante da atmosfera synth‑driven que o diretor preferia. O mesmo padrão foi repetido em The New Empire, onde a equipe de música incluiu novamente Junkie XL e Antonio Di Iorio, mantendo a identidade sonora definida pelos estúdios.
O resultado comercial foi inegável: Godzilla vs. Kong foi um dos primeiros blockbusters a recuperar a presença de público nos cinemas, enquanto The New Empire quebrou recordes de receita. Ainda assim, a insatisfação criativa de Wingard ficou evidente. Ele se tornou o primeiro diretor a comandar mais de um filme dentro do MonsterVerse, mas, segundo ele, a falta de liberdade musical foi o ponto mais crítico da experiência.
Em entrevista, Wingard também comentou que não retornará ao próximo título da franquia, Godzilla x Kong: Supernova, programado para 2027, que será dirigido por Grant Sputore. A decisão parece estar ligada ao desejo de buscar projetos onde sua visão sonora possa ser plenamente explorada.
- 2021: Lançamento de Godzilla vs. Kong – sucesso de bilheteria pós‑pandemia.
- 2024: Godzilla x Kong: The New Empire supera recordes, arrecadando mais de US$ 570 milhões.
- 2026: Onslaught estreia em 4 de setembro, revelando a preferência de Wingard por trilhas ao estilo John Carpenter.
- 2027: Godzilla x Kong: Supernova será dirigido por Grant Sputore, sem a participação de Wingard.
O que vem depois
Com a saída de Wingard da franquia, a expectativa agora recai sobre Grant Sputore e a equipe de produção da Warner Bros. e Legendary. A escolha de compositores ainda deve seguir o modelo já estabelecido, mas a reação pública à declaração de Wingard pode incentivar os estúdios a considerar maior flexibilidade criativa em futuros projetos.
Para os fãs de trilhas sonoras nostálgicas, a entrevista abre espaço para discussões sobre como a identidade musical pode impactar a recepção de um filme de grande orçamento. Caso o próximo MonsterVerse decida explorar mais o estilo synth‑wave dos anos 80, pode haver um alinhamento maior entre a visão do diretor e a expectativa do público.
Enquanto isso, Wingard volta sua atenção para projetos independentes, como Onslaught, que lhe permite experimentar livremente a combinação de horror, ação e música retro. O sucesso de Onslaught nas bilheterias será um termômetro para medir se a liberdade criativa que ele busca pode traduzir-se em resultados comerciais comparáveis aos blockbusters do MonsterVerse.
Para ficar no radar
Os próximos passos da franquia MonsterVerse ainda dependem de decisões estratégicas dos estúdios. A principal questão que permanece é se a fórmula de controle sobre a trilha sonora será mantida ou se haverá abertura para diretores que, como Wingard, desejam imprimir sua assinatura musical. Enquanto isso, os fãs podem acompanhar Onslaught nas salas de cinema a partir de 4 de setembro de 2026 e ficar atentos aos anúncios oficiais de Godzilla x Kong: Supernova para 2027.
Além disso, a comunidade de cinema e trilha sonora continuará debatendo a importância da identidade sonora em franquias de grande escala, especialmente quando o público demonstra interesse crescente por estilos retro e atmosféricos. O caso de Wingard pode servir de referência para futuros diretores que buscam equilibrar liberdade criativa e demandas de grandes estúdios.


