Em 2006, a DC Comics lançou a minissérie "Last Son" nos números #844‑846 de action comics, realizando a visão que o diretor Richard Donner tinha para Superman II.
Action Comics #844-846 publica “Last Son”
Após décadas de discussões sobre a versão original de Superman II, a editora DC concedeu ao veterano diretor Richard Donner a oportunidade de recontar a história em formato de quadrinhos. A trama, escrita por Geoff Johns – então uma das maiores vozes da DC – e desenhada por Adam Kubert (filho do lendário Joe Kubert), apareceu inicialmente em Action Comics #844 a #846, com a conclusão em Action Comics Annual #11.
O enredo, intitulado "Last Son", traz de volta personagens icônicos como General Zod, Ursa e Non, mas com uma abordagem que mistura a grandiosidade épica que Donner desejava com o tom mais humorístico que o produtor Richard Lester inseriu no filme final. A história ainda inclui a participação de Lex Luthor, Bizarro, Lois Lane e a curiosa "Superman Revenge Squad".
Por que isso importa para o fandom brasileiro?
O Brasil tem uma comunidade de fãs de Superman que acompanha tanto as versões cinematográficas quanto as publicações em quadrinhos. A oportunidade de ver a visão de Donner – um diretor que ainda hoje é reverenciado por seu trabalho em Superman: O Filme (1978) – chegou em formato acessível, permitindo que leitores brasileiros comparassem diretamente as duas abordagens.
Além disso, a publicação coincidiu com a ascensão de Geoff Johns como uma das principais figuras criativas da DC, o que gerou grande expectativa entre colecionadores que buscavam edições limitadas e histórias que marcariam a história da editora.
Do ponto de vista cultural, a história reforça a ideia de que quadrinhos podem servir como laboratório para ideias que, por questões orçamentárias ou de produção, nunca chegam às telas. Essa dinâmica é particularmente relevante no Brasil, onde o acesso a filmes de super-heróis ainda depende de lançamentos em cinemas e plataformas de streaming, enquanto os quadrinhos circulam amplamente em lojas especializadas e eventos como a CCXP.
Reação dos fãs e do mercado
A recepção foi quente nas redes sociais brasileiras. No Twitter, hashtags como #LastSon e #DonnerCut ganharam milhares de impressões, com fãs debatendo se a versão em quadrinhos realmente captura a grandiosidade que o diretor pretendia. No Instagram, colecionadores exibiram suas edições de Action Comics #844‑846 ao lado de prints do filme original, criando um diálogo visual entre as duas mídias.
Do ponto de vista comercial, a edição se tornou um item cobiçado em lojas de quadrinhos de São Paulo e Rio de Janeiro, com algumas unidades vendidas a preços acima da tabela de referência da Editora panini. A edição anual, que encerra a história, também teve boa saída, impulsionada pela curiosidade de quem ainda não havia lido a sequência.
- Os fãs elogiaram a arte de Adam Kubert, que reproduz o visual clássico de Christopher Reeve e Margot Kidder.
- Geoff Johns foi destacado por equilibrar ação épica e humor, algo que faltou na versão cinematográfica final.
- Alguns críticos apontaram que, apesar da ambição, a narrativa ainda sofre de ritmo desigual – uma crítica que também era feita ao filme de 1980.
O sucesso da minissérie também influenciou a decisão da DC de revisitar outras obras “cortadas” pelos estúdios, como a proposta de um Batman mais fiel ao roteiro original de Tim Burton.
O que esperar das próximas publicações da DC
Com a demonstração de que a editora está disposta a corrigir “erros” do passado, o mercado pode aguardar outras iniciativas semelhantes. Algumas possibilidades que circulam entre os insiders:
- Uma série limitada que explore a visão original de Superman III, que também sofreu intervenções de produção.
- Reimpressões de histórias de Geoff Johns com arte revisada, visando colecionadores que perderam as primeiras edições.
- Eventos crossover que unam personagens de diferentes linhas temporais, aproveitando o conceito de multiverso que a DC tem cultivado nos últimos anos.
Para o público brasileiro, isso significa mais oportunidades de adquirir edições especiais em eventos como a CCXP, Comic Con Experience, e nas lojas online que atendem ao mercado nacional. Também abre espaço para discussões mais aprofundadas em podcasts e canais de YouTube que analisam as diferenças entre as versões cinematográficas e as dos quadrinhos.
Para ficar no radar
A publicação de "Last Son" demonstra que a DC ainda tem muito a oferecer ao seu público, especialmente quando revisita projetos que foram abandonados ou alterados por questões de produção. Enquanto o cinema ainda luta para equilibrar orçamento e visão artística, os quadrinhos permanecem como o meio mais flexível para experimentar narrativas ousadas. Fique atento às próximas edições especiais da DC, que podem trazer mais histórias “não contadas” ao alcance dos fãs brasileiros.


