Oliver Queen está morto e essa é a melhor notícia para os fãs da DC
Oliver Queen — o bilionário que se tornou o arqueiro verde — foi brutalmente assassinado por Hawkman (Gavião Negro) nos eventos de Absolute Evil. Se em qualquer outra cronologia isso significaria apenas um hiato até a próxima ressurreição mágica, no selo Absolute da DC Comics, a morte é o ponto de partida para uma desconstrução radical. O roteirista Pornsak Pichetshote (conhecido por Dead Boy Detectives) e o artista brasileiro Rafael Albuquerque (famoso por American Vampire) estão entregando algo que foge completamente do heroísmo tradicional: um slasher de luxo onde os alvos são a elite financeira.
A proposta de Absolute Green Arrow #1 é clara ao se vender como um mistério de assassinato em tempo real, algo na linha de Entre Facas e Segredos (Knives Out), mas com uma pegada de Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado para bilionários. A tese aqui é que, ao retirar o dinheiro e a vida de Oliver Queen, a DC finalmente encontrou uma forma de tornar o Arqueiro Verde perigoso novamente. Não se trata mais de um vigilante com flechas de luva de boxe, mas de uma presença fantasmagórica que assombra os corredores do poder.
Por que Absolute Green Arrow é a aposta mais ousada do novo selo
- O fim do herói carismático: Nesta versão, Oliver Queen não está aqui para fazer piadas ou discursos políticos inflamados; ele é uma ausência que preenche cada painel, um símbolo de medo para aqueles que achavam que o dinheiro os tornava intocáveis.
- Rafael Albuquerque no seu elemento: O traço do brasileiro Rafael Albuquerque é perfeito para o horror, trazendo uma Star City suja e visceral que abandona o brilho tecnológico para abraçar as sombras de um thriller policial.
- Dinah Lance como protagonista investigativa: A Absolute Black Canary (canário negro) assume o papel de especialista em proteção executiva, sendo a lente através da qual o leitor tenta descobrir quem — ou o que — está usando o legado de Oliver para matar.
- Vilões baseados em crimes reais: A introdução de Jubal Slade — uma versão Absolute de um vilão clássico — como um magnata que abusa de menores em sua ilha particular, estabelece um paralelo direto e desconfortável com figuras como Jeffrey Epstein.
- A desconstrução dos ajudantes: Personagens como Roy Harper (Ricardito) e Mia Dearden (uma das encarnações da Speedy) são apresentados como suspeitos ou peças de um quebra-cabeça sombrio, longe da dinâmica de mentor e aprendiz de outrora.
- O selo Absolute como laboratório de horror: Diferente do universo principal, aqui não há misericórdia ou as amarras do status quo, permitindo que a história siga caminhos de violência gráfica e crítica social pesada.
O que esperar da trama e do mistério
A narrativa se divide entre a investigação de Dinah Lance e os ataques brutais do "Assassino do Arqueiro Verde". O grande trunfo do roteiro de Pichetshote parece ser a ambiguidade: o assassino é um psicopata, um justiceiro ou algo sobrenatural? A DC confirmou que a série terá seis edições iniciais, com o primeiro número chegando às bancas (americanas) em 20 de maio de 2026, custando US$ 4,99.
"Você pode sentir a presença de Oliver Queen em cada painel do livro, mesmo que ele esteja morto." — Pornsak Pichetshote, roteirista.
Abaixo, detalhamos os pontos positivos e negativos dessa nova abordagem para o personagem:
| Argumentos a Favor (Prós) | Argumentos Contra (Contras) |
|---|---|
| Reinventa um personagem que estava estagnado. | A ausência física de Oliver Queen pode afastar fãs tradicionais. |
| Arte de Rafael Albuquerque é um espetáculo visual. | O tom de horror pode ser pesado demais para leitores de heróis. |
| Crítica social direta e sem filtros. | Risco de se tornar apenas mais uma história de "vigilante sombrio". |
A dinâmica da Absolute Justice League
Um ponto crucial revelado nos previews é que a Liga da Justiça deste universo parece ser composta por bilionários que protegem seus próprios interesses. Isso coloca o Arqueiro Verde — ou quem quer que esteja usando seu manto — em uma rota de colisão não apenas contra criminosos comuns, mas contra o próprio sistema de super-heróis estabelecido. É uma inversão total da dinâmica clássica onde Oliver era o "membro rico" que financiava a equipe.
- Dinah Lance: Agora uma guarda-costas de elite, longe do papel de interesse amoroso passivo.
- Star City: Descrita como um ambiente de opressão urbana, quase um personagem à parte.
- Mistério: Cada edição promete focar em um arqueiro diferente do mito da DC como possível suspeito.
Onde isso pode dar
A aposta da DC no selo Absolute é clara: chocar para renovar. Ao transformar o Arqueiro Verde em um conto de horror slasher, a editora remove a rede de segurança do leitor. Não sabemos se Oliver voltará, ou se o foco será a ascensão de uma nova Canário Negro como a verdadeira força moral desse universo. O envolvimento de Rafael Albuquerque garante que, no mínimo, teremos uma das HQs mais bonitas e perturbadoras da década.
Se o mistério de "quem é o assassino" for bem conduzido, Absolute Green Arrow tem potencial para ser o watchmen desta geração no quesito desconstrução de ícones. No entanto, o sucesso depende de quão bem Pichetshote conseguirá equilibrar o comentário social sobre a elite predatória com a necessidade de entregar uma história de entretenimento de alto nível. Para quem busca algo além das capas coloridas e lutas genéricas, este é o título para ficar no radar em 2026.


