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Cinema e Series

A Life Less Ordinary (1997): romance, anjos e o caos de Danny Boyle

· · 4 min de leitura
Jovem em roupa de ginástica segurando o DVD de *A Life Less Ordinary* ao lado de halteres
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TL;DR: "A Life Less Ordinary" (1997) combina romance de sequestro, anjos burocráticos e uma trilha sonora dos anos 90, mas acabou sendo rejeitado pela crítica apesar do elenco estrelado.

O que aconteceu?

Em 1997, o diretor britânico Danny Boyle, ainda em fase de consolidação, lançou A Life Less Ordinary. O longa conta a história de Robert (Ewan McGregor), um zelador que perde o emprego para um robô de limpeza, e Celine (Cameron Diaz), filha de um milionário arrogante (Ian Holm) que está noiva de um homem que odeia (Stanley Tucci). Em um impulso impulsivo, Robert sequestra Celine, iniciando uma fuga que se transforma em romance.

O diferencial do filme está no subenredo B: anjos interpretados por Holly Hunter e Delroy Lindo, que trabalham como caçadores de recompensas e, ao mesmo tempo, são agentes divinos sob a supervisão do arcanjo Gabriel (Dan Hedaya). Se falharem em fazer o casal humano se apaixonar, correm o risco de se tornar anjos caídos, presos na Terra.

Como chegamos aqui?

Antes de A Life Less Ordinary, Boyle já havia chamado atenção com Shallow Grave (1994) e Trainspotting (1996). Enquanto Shallow Grave era um thriller de humor negro sobre três colegas de quarto que roubam o cadáver de um inquilino, Trainspotting mergulhou na cultura da heroína em Edimburgo, tornando-se um ícone do cinema indie. O salto para um romance de aventura com toques sobrenaturais representou a tentativa de Boyle de alcançar um público mais amplo.

O roteiro, assinado por John Hodge, traz um tom deliberadamente excêntrico: o arcanjo Gabriel aparece como chefe de polícia, com uma placa na porta indicando seu cargo. Os anjos, desiludidos por falhas anteriores em “acender o amor” na Terra, veem na história de Robert e Celine a chance de redenção. Essa mistura de burocracia celestial e crime romântico reflete a tendência dos anos 90 de inserir elementos metafísicos em narrativas de rua, como visto em True Romance e Natural Born Killers (ambos escritos por Quentin Tarantino).

Visualmente, Boyle aposta em excessos estilísticos – corações que brilham como lanternas, sequências de câmera que lembram videoclipes MTV. O resultado é uma estética “cartunesca” que, embora ousada, acabou dividindo o público. Enquanto alguns espectadores apreciaram a originalidade, críticos acharam que a extravagância mascarava uma história convencional.

O que vem depois?

Nas bilheterias, o filme arrecadou US$ 14,6 milhões contra um orçamento de US$ 12 milhões, um retorno modesto que não compensou o investimento. A crítica foi ainda mais severa: Roger Ebert concedeu duas estrelas, alegando que o filme “gasta energia enorme para contar uma história tediosa e forçada”. Owen Gleiberman, da Entertainment Weekly, deu nota F, descrevendo o longa como “extravagantemente mal concebido”.

Entretanto, a trilha sonora foi o ponto alto. Com faixas de Beck, R.E.M., The Prodigy, além de clássicos de Elvis Presley e Bobby Darin, o álbum conseguiu vender bem e ainda hoje é lembrado pelos fãs de soundtracks dos anos 90. Essa estratégia – compensar um desempenho de bilheteria fraco com vendas de CD – era comum na época.

Depois de A Life Less Ordinary, Boyle dirigiu The Beach (2000), que se tornou um sucesso comercial, mas acabou afastando-o de Ewan McGregor. A parceria dos dois, que parecia promissora, acabou esfriando, influenciando a trajetória de ambos nos anos seguintes.

Vale a pena assistir hoje?

Para o público brasileiro, o filme oferece alguns atrativos específicos:

  • Elenco internacional: tanto Diaz quanto McGregor são figuras reconhecidas, o que pode atrair fãs de Hollywood.
  • Trilha sonora nostálgica: o mix de grunge, eletrônico e clássicos dos 50/60 pode despertar a memória de quem viveu a década de 90.
  • Curiosidade cultural: a presença de anjos como burocratas divinos é um ponto de discussão interessante nas comunidades de cinema cult.

Por outro lado, o ritmo exagerado e os diálogos forçados podem cansar espectadores acostumados a narrativas mais coesas. Se a expectativa for reviver a energia caótica dos primeiros trabalhos de Boyle, o filme entrega. Se busca consistência dramática, talvez seja melhor pular.

Para ficar no radar

Embora não tenha sido um clássico, A Life Less Ordinary ainda aparece em listas de filmes “cult” dos anos 90 e é frequentemente citado em debates sobre a fase experimental de Danny Boyle. Serviços de streaming que renovam catálogos de cinema indie costumam incluir o título, facilitando o acesso ao público brasileiro. Fique de olho em lançamentos de coleções de trilhas sonoras dos anos 90, pois o álbum pode aparecer em edições especiais.

"Se os anjos realmente são burocratas, talvez devêssemos agradecer ao menos por não ter que lidar com a papelada celestial no dia a dia" – comentário de fã no Reddit Brasil.

Em suma, A Life Less Ordinary permanece como um experimento ousado que dividiu opiniões, mas que ainda oferece entretenimento para quem curte o estilo visual dos anos 90 e não se importa com uma trama que tenta ser tudo ao mesmo tempo.

Perguntas frequentes

Qual é a premissa básica de A Life Less Ordinary?
Um zelador desempregado sequestra a filha de um milionário, enquanto anjos burocráticos tentam garantir que eles se apaixonem.
A trilha sonora do filme é boa?
Sim, reúne artistas como Beck, R.E.M. e The Prodigy, sendo um dos pontos altos da produção.
O filme foi bem recebido no Brasil?
Não há registros de um grande sucesso de bilheteria no Brasil; a crítica local também foi morna, mas a obra ganhou culto entre fãs de cinema dos 90.
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