O filme 65, estrelado por Adam Driver, ocupa a sexta posição no Top 10 de filmes mais assistidos do Tubi, plataforma de streaming gratuito, três anos após sua estreia nos cinemas ter decepcionado em bilheteria. A produção de ficção científica mistura dinossauros e tecnologia avançada, mas esconde uma premissa que a maioria do público interpretou mal: não se trata de viagem no tempo, mas de um alienígena vindo do planeta Somaris que cai na Terra há 65 milhões de anos.
O que aconteceu
Lançado em 2023 pela Sony Pictures, 65 arrecadou valores modestos nas bilheterias globais e recebeu críticas mistas na época. O marketing vendia a ideia de um astronauta (Driver) preso no passado pré-histórico da Terra, o que levou espectadores e parte da imprensa a classificarem a obra como mais um filme de viagem no tempo com dinossauros. Nos últimos dias, porém, o longa ressurgiu no radar ao entrar na lista dos mais vistos do Tubi, serviço gratuito com suporte a anúncios (FAST) que vem ganhando tração nos Estados Unidos e em outros mercados.
A ascensão no ranking do Tubi indica que o boca a boca e a curiosidade tardia estão dando ao filme uma segunda vida — fenômeno comum em produções de gênero que não encontram seu público na janela de cinema, mas florescem no streaming. Diferente de títulos que dependem de assinatura, a gratuidade do Tubi remove a barreira de custo e expõe o filme a uma base ampla de espectadores casuais.
Como chegamos aqui
A premissa mal compreendida
Quando se olha para o pôster e o trailer, a leitura imediata é: homem do futuro volta ao passado. Mills (Driver) usa equipamentos high-tech, porta armas avançadas e veste roupas com estética futurista. A jovem Koa (Ariana Greenblatt) também tem visual que não condiz com o Pleistoceno. Some-se a isso a animação suspensa da tripulação e a conclusão óbvia vira "viagem temporal".
A realidade do roteiro, assinado por Scott Beck e Bryan Woods (dupla de Um Lugar Silencioso), é outra: Mills é um piloto da civilização de Somaris, planeta tecnologicamente avançado que existe no mesmo período em que a Terra é dominada por dinossauros. O título "65" refere-se aos 65 milhões de anos atrás — época do impacto do asteroide Chicxulub que extinguiu os dinossauros não-avianos. Mills não viajou no tempo; ele viajou no espaço e caiu num mundo estranho que, por coincidência cronológica, é a Terra primitiva.
Por que isso muda a experiência
Essa distinção transforma o filme de "mais um survival com viagem no tempo" para "primeiro contato às avessas". Mills é um estranho absoluto: não conhece a fauna, a flora, o clima, a geologia e, crucialmente, não tem como voltar para casa senão reparando a nave de fuga antes que o asteroide caia. O relógio não corre contra uma paradoxo temporal, mas contra um evento de extinção real e iminente. Isso eleva a tensão e dá peso existencial à jornada de proteção de Koa — ela não é apenas uma criança perdida no tempo, é a única testemunha de uma civilização que talvez nem exista mais.
O fracasso inicial e a redenção no FAST
Na estreia, 65 sofreu com lançamento próximo a blockbusters de franquias consolidadas e uma campanha que não explicava o twist de Somaris — possivelmente para preservar a surpresa, mas acabando por vender o filme errado. Críticos apontaram roteiro fino e personagens pouco desenvolvidos; o público esperava Jurassic Park encontra Interestelar e recebeu um survival tenso, quase minimalista, focado na dinâmica de dois personagens que não falam a mesma língua.
Plataformas FAST como Tubi, Pluto TV e Roku Channel tornaram-se o novo "videoclube" para esse tipo de título: filmes de orçamento médio, alto conceito visual, que não precisam de assinatura para serem descobertos. O algoritmo do Tubi recomenda por afinidade de gênero (ficção científica, ação, criaturas), colocando 65 ao lado de franquias conhecidas e capturando espectadores que buscam "algo com dinossauros" numa noite de semana.
O que vem depois
O desempenho no Tubi pode reacender discussões sobre sequência ou spin-off, embora a Sony não tenha anunciado planos. Beck e Woods já declararam em entrevistas passadas que o universo de Somaris permite expansão — outras naves, outras missões, outros pontos da história da Terra. Para o espectador brasileiro, o filme está disponível no Tubi (onde o catálogo varia por região) e em plataformas de aluguel/compra digital como Prime Video, Apple TV e Google Play.
Se você pulou nos cinemas achando que era "mais do mesmo", a versão gratuita no streaming é a chance de testar a premissa real: um sci-fi de sobrevivência onde o perigo não é o passado, mas o cosmos inteiro — e um asteroide a caminho.
Datas e o que vem depois
- Disponibilidade imediata: 65 roda grátis no Tubi (verifique catálogo local) e sob demanda nas principais lojas digitais.
- Sem anúncio de continuação: Sony e produtores não confirmaram sequência; diretores sugerem potencial de universo expandido.
- Olho no FAST: títulos de gênero com segunda vida no streaming gratuito costumam ganhar edições físicas especiais ou coletâneas digitais.


