A indústria cinematográfica é um terreno fértil para ideias grandiosas, mas nem tudo que é anunciado chega às salas de cinema. Para cada sucesso de bilheteria, existem dezenas de projetos que ficam presos no chamado "inferno do desenvolvimento" ou são descartados por questões financeiras e estratégicas. No gênero de ficção científica (sci-fi), essas perdas costumam ser ainda mais sentidas, já que envolvem mundos complexos e visões visuais que muitas vezes nunca ganham uma segunda chance.
Abaixo, listamos três produções de ficção científica que, por diferentes motivos, nunca foram concluídas, mas que continuam sendo objeto de desejo e debate entre os entusiastas do gênero.
O que foi a série Divergente: Ascendente?
Baseada na trilogia literária de Veronica Roth, a franquia Divergente foi uma das grandes apostas do cinema distópico na década de 2010. Após o sucesso do primeiro longa, a série adaptou Insurgente e, posteriormente, a primeira metade do livro final, Convergente. No entanto, o desempenho morno de Convergente nas bilheterias fez com que o estúdio desistisse de finalizar a saga com o filme Ascendente.
O projeto chegou a ser cogitado como um telefilme para o canal Starz, mas a ideia acabou descartada. Para os fãs, o cancelamento significou que a história de Tris Prior ficou sem um encerramento cinematográfico digno, deixando a conclusão da jornada apenas para as páginas dos livros.
Por que o Dune de Alejandro Jodorowsky é tão lendário?
Muito antes de Denis Villeneuve entregar sua aclamada versão de Dune (obra baseada no livro de Frank Herbert), o cineasta Alejandro Jodorowsky tentou realizar uma adaptação épica em 1974. O projeto era extremamente ambicioso, contando com nomes como H.R. Giger (famoso pelo design de Alien) e Moebius na parte visual, além de uma trilha sonora que envolveria bandas como Pink Floyd.
O elenco também seria um espetáculo à parte, incluindo Salvador Dalí e Orson Welles. O filme nunca saiu do papel porque o custo de pré-produção tornou-se insustentável para os investidores da época. O documentário Jodorowsky's Dune detalha como essa visão ousada poderia ter mudado o cinema de ficção científica para sempre, caso tivesse recebido o sinal verde.
O que aconteceu com o Alien 5 de Neill Blomkamp?
Em 2015, o diretor Neill Blomkamp (de Distrito 9) anunciou um projeto que deixou a comunidade nerd em polvorosa: um novo filme da franquia Alien. A proposta era ignorar os eventos de Alien 3 e A Ressurreição, criando uma sequência direta de Aliens, o Resgate (1986). A trama traria o retorno de Ellen Ripley (vivida por Sigourney Weaver) e do cabo Hicks, décadas após os eventos do segundo filme.
Apesar da empolgação dos fãs e da própria equipe envolvida, o projeto foi cancelado em favor da nova direção que Ridley Scott queria dar à saga com os prelúdios Prometheus e Alien: Covenant. Embora o recente Alien: Romulus tenha sido bem recebido, muitos ainda se perguntam como teria sido a visão de Blomkamp para o destino de Ripley.
Por que projetos de alto orçamento são cancelados?
- Desempenho financeiro: Quando um filme da franquia rende menos que o esperado, o estúdio corta o orçamento das sequências.
- Mudanças de gestão: Executivos de estúdios mudam, e novas lideranças costumam cancelar projetos da gestão anterior.
- Conflitos de visão criativa: Diretores e estúdios podem divergir sobre o tom ou a direção que a marca deve seguir.
- Custos de pré-produção: Se o custo para planejar o filme supera o risco de retorno, o projeto é engavetado.
Para ficar no radar
O cancelamento desses filmes nos lembra que o cinema é, acima de tudo, um negócio. Mesmo com elencos estelares, roteiros baseados em best-sellers ou visões artísticas geniais, a viabilidade econômica dita o ritmo da indústria.
Embora nunca vejamos essas versões específicas, o legado desses projetos muitas vezes influencia outras produções. O design de Jodorowsky, por exemplo, deixou marcas profundas na estética sci-fi que vemos até hoje. Ficar atento aos bastidores de Hollywood ajuda a entender que, no mundo geek, a jornada de um filme é quase tão fascinante quanto o resultado final que vemos na tela.


