TL;DR: 15 filmes lançados entre 2020 e 2021 não conseguiram se recuperar nas bilheterias, por motivos que vão de bloqueio de salas a mudanças de estratégia de distribuição.
Quando a pandemia de COVID-19 varreu os Estados Unidos e o resto do planeta, Hollywood se viu forçado a repensar todo o modelo de lançamento. Muitos filmes que deveriam ter sido marcos de retorno ao cinema acabaram sendo esmagados por uma combinação de bloqueio de salas, mudanças de data e uma audiência que, por fim, mudou de hábitos. Abaixo, analisamos os 15 títulos que mais se destacaram como fracassos de bilheteria, explicando o que realmente aconteceu e o que isso significa para os fãs brasileiros que ainda aguardam esses lançamentos em formato físico.
O que caracteriza um “fracasso” de bilheteria durante a pandemia?
Em 2020 e 2021, a definição de fracasso mudou. Um filme que arrecadasse menos de 50% do orçamento de produção já era considerado um bomb, mas, quando as salas estavam fechadas ou com capacidade limitada, a expectativa de retorno era ainda menor. Fatores como a simultaneidade de lançamento em streaming, a falta de marketing direcionado e a superlotação de conteúdos de streaming também contribuíram para que títulos de alto perfil não conseguissem atingir o público.
West Side Story (2021) – Por que o musical de Spielberg não funcionou?
Steven Spielberg voltou ao clássico musical com uma produção de $100 milhões que só arrecadou $76 milhões. O lançamento em 2021 coincidiu com a retomada de filmes de ação e super-heróis, e a audiência ainda estava hesitante em ir a salas que exigiam presença física. O público que normalmente curte musicais era mais cauteloso, e o filme não contou com um “call‑to‑action” forte o suficiente para superar a barreira do medo.
In the Heights – A falha de marketing da Warner Bros.
Jon M. Chu trouxe o musical de Lin‑Manuel Miranda para a tela grande, mas a Warner Bros. decidiu manter a maioria de sua programação de 2021 exclusivamente no HBO Max. Embora “A Quiet Place Part II” e “F9” tenham atraído público para o cinema, “In the Heights” não teve o mesmo apoio promocional, resultando em um faturamento de apenas $45 milhões contra um orçamento de $55 milhões.
The Last Duel – A escolha errada de distribuição?
Ridley Scott tentou reviver o drama histórico com um orçamento de $100 milhões, mas o filme foi lançado simultaneamente com “Halloween Kills” em cinemas e streaming. A concorrência direta e a preferência por títulos de terror mais leves desviaram a atenção do público. O resultado: $30 milhões de arrecadação.
Nightmare Alley – O peso da pandemia no lançamento
Guillermo del Toro trouxe um neo‑noir de $60 milhões, mas a onda de casos de COVID em dezembro e a percepção de risco nas salas de cinema reduziram drasticamente o público. O filme acabou arrecadando apenas $40 milhões, abaixo do ponto de equilíbrio.
News of the World – Tom Hanks e a falha de timing
Embora o enredo de Tom Hanks prometesse atrair o público mais velho, o lançamento em dezembro de 2020 coincidiu com a chegada de “Soul” e “Wonder Woman 1984” no streaming. A decisão de lançar em cinemas durante a pandemia resultou em apenas $12 milhões de receita.
Last Night in Soho – A falta de conexão com o público
Edgar Wright tentou algo diferente com um horror de viagem no tempo, mas a estratégia de marketing não refletiu a identidade do diretor. O filme, de $43 milhões, arrecadou apenas $23 milhões.
Spencer – O desafio de um biopic em um mercado saturado
Kristen Stewart como Princesa Diana teve um bom desempenho crítico, mas o filme enfrentou concorrência de outras estreias de temporada e não conseguiu atrair o público de forma suficiente, arrecadando apenas $25 milhões.
The Tragedy of Macbeth – Streaming roubou a atenção
Joel Coen e Denzel Washington em uma adaptação de Shakespeare mostraram que o formato não impede sucesso crítico, mas a apple tv priorizou assinantes em vez de salas de cinema, gerando apenas $500 milhões de arrecadação.
The Card Counter – Um drama de nicho sem apelo comercial
Paul Schrader e Oscar Isaac apresentaram um thriller anti‑vingança que, apesar de sólido, não teve o alcance necessário. O filme arrecadou apenas $5 milhões.
First Cow – A primeira grande falha da pandemia
Kelly Reichardt lançou “First Cow” em março de 2020, no mesmo dia que “Onward” de Disney. O fechamento rápido das salas forçou a distribuição a mudar para VOD, resultando em apenas $1,3 milhões.
Saint Maud – O drama que não encontrou seu público
Rose Glass em “Saint Maud” recebeu elogios, mas a distribuição lenta e a falta de apoio de marketing impediu que o filme alcançasse mais de $1,6 milhões.
Pig – O melhor lançamento de 2021 que não teve retorno no cinema
Michael Sarnoski e Nicolas Cage entregaram um filme aclamado, mas o lançamento em julho de 2021, quando o público ainda estava cauteloso, resultou em $4,6 milhões.
Petite Maman – O fracasso de um filme francês no mercado americano
Apesar de ser dirigido por Célia Sima, “Petite Maman” não teve distribuição ampla nos EUA, arrecadando apenas $2 milhões em um mercado onde o público é mais seletivo.
Wolfwalkers – O erro de Apple TV com animação
Cartoon Saloon produziu “Wolfwalkers” com um orçamento recorde de $10 milhões, mas a distribuição em Apple TV e a concorrência de outros títulos de animação no streaming limitaram a receita a apenas $1,3 milhões.
Never Rarely Sometimes Always – O pior lançamento de todos os tempos
Eliza Hittman entregou um drama social que deveria ter sido um sucesso de crítica e público. Lançado em março de 2020, o filme foi imediatamente afetado pelo fechamento de salas, arrecadando menos de $900 milhões.
O que esses resultados significam para os fãs brasileiros?
- Os títulos ainda disponíveis em streaming podem ser acessados em plataformas locais como Netflix, Amazon Prime e Disney+.
- Para quem prefere a experiência de cinema, a maioria desses filmes já está em formato de DVD ou Blu‑ray, embora a disponibilidade seja limitada.
- O mercado brasileiro de cinema ainda está recuperando, mas o público está mais consciente do que gastar em salas de cinema versus streaming.
Datas e o que vem depois – Como o mercado está evoluindo?
Com a vacinação em massa e a reabertura gradual das salas, os próximos anos podem ver um retorno gradual do público, mas a competição com o streaming permanece forte. Filmes de grande orçamento, especialmente em 2023 e 2024, estão cada vez mais sendo lançados em plataformas de streaming antes de chegar ao cinema. Para os fãs brasileiros, isso significa que a próxima geração de blockbusters pode chegar primeiro ao seu sofá.
Onde isso pode dar – A aposta da redacao
O cenário atual sugere que os grandes estúdios precisarão repensar a estratégia de lançamento, talvez adotando modelos híbridos que combinem exibição em salas e streaming simultâneos. Para o público brasileiro, isso pode significar mais acesso a filmes de alta qualidade sem a necessidade de sair de casa, mas também pode reduzir a experiência única do cinema.


