Adeus, velharia: astronautas da ISS ganham notebooks de última geração

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Se você acha que o seu notebook está ficando lento para abrir o Chrome 🛒 ou que aquele upgrade de RAM é uma dor de cabeça, imagine o nível de estresse de atualizar a infraestrutura de TI a 400 quilômetros acima da superfície terrestre. Pois é, a vida na Estação Espacial Internacional (ISS) não é feita apenas de experimentos científicos e caminhadas espaciais; ela também exige que a tripulação lide com o eterno ciclo de obsolescência tecnológica. Recentemente, a NASA anunciou que a Expedição 74 está passando por um “level up” de respeito: os antigos ZBook Fury G2 estão sendo aposentados para dar lugar aos brutais HP ZBook Fury G9.

Aqui no Culpa do Lag, a gente adora ver hardware de ponta sendo levado ao limite, e não existe limite mais extremo do que o vácuo do espaço. Vamos mergulhar nos detalhes dessa atualização interestelar.

Sumário

Pontos-chave: O que você precisa saber

  • A tripulação da Expedição 74 está substituindo os antigos HP ZBook Fury G2 por modelos G9, muito mais potentes.
  • O hardware inclui processadores Intel Core Ultra 9 vPro HX e GPUs Nvidia RTX Pro Blackwell.
  • A configuração traz 128GB de RAM DDR5 e 8TB de armazenamento SSD (4x 2TB).
  • Foi necessário desenvolver um adaptador de energia exclusivo, já que a ISS opera majoritariamente com corrente contínua (DC).
  • Existem mais de 100 estações de trabalho HP ativas na ISS, além de impressoras adaptadas para microgravidade.
  • A ISS tem data marcada para ser desorbitada em 2030, tornando este um dos últimos grandes upgrades de hardware da estação.

O Fim da Era G2: A obsolescência chega ao espaço

Vamos ser sinceros: usar um laptop de gerações passadas já é um desafio na Terra, onde você pode simplesmente ir até uma loja e comprar um SSD novo ou uma bateria extra. No espaço, a logística é um pesadelo. A NASA estava operando com o HP ZBook Fury G2 — uma máquina que, para os padrões atuais de 2026, já estava pedindo aposentadoria há muito tempo.

O astronauta Chris Williams e sua equipe foram os responsáveis por desembalar o novo carregamento que chegou em outubro de 2025. Ver essas máquinas sendo ativadas não é apenas uma questão de “ter um computador mais rápido”. É sobre garantir que os sistemas críticos de suporte à vida, as comunicações com a Terra e os experimentos científicos de alta complexidade tenham o poder de processamento necessário. Quando você está em órbita, um travamento de sistema não é apenas irritante; é um risco operacional.

O Hardware: Por que o ZBook Fury G9?

A HP não enviou modelos de prateleira para a ISS. Estamos falando de máquinas customizadas que fariam qualquer entusiasta de PC Gaming babar. O ZBook Fury G9 que está sendo instalado na estação é um monstro em termos de performance bruta:

  • Processador: Intel Core Ultra 9 vPro HX. Estamos falando de núcleos focados em eficiência e performance, essenciais para rodar cálculos complexos de telemetria.
  • Gráficos: Nvidia RTX Pro Blackwell. Sim, a arquitetura Blackwell está presente, garantindo que qualquer renderização de dados ou simulação visual seja feita com fidelidade absoluta.
  • Memória: 128GB de DDR5. Isso é mais memória do que a maioria dos servidores de pequenas empresas possui.
  • Armazenamento: Quatro SSDs NVMe de 2TB, totalizando 8TB de armazenamento ultra-rápido.

Por que tanto poder? A ISS é um laboratório. Eles precisam processar imagens de alta resolução da Terra, rodar simulações de física de fluidos em microgravidade e gerenciar a enorme quantidade de dados gerados pelos sensores espalhados pela estação. O hardware anterior simplesmente não estava mais dando conta do volume de dados da ciência moderna.

O Desafio da Energia: Adaptando o impossível

Aqui entra o detalhe que separa um notebook comum de um dispositivo espacial: a energia. Se você tentar plugar o carregador do seu notebook gamer na tomada da ISS, você vai ter um problema sério. A estação opera majoritariamente com corrente contínua (DC), enquanto nossos aparelhos terrestres dependem da corrente alternada (AC) das nossas tomadas residenciais.

A HP teve que desenvolver um adaptador AC/DC exclusivo para o ZBook Fury G9. Esse não é um carregador que você encontra na Amazon. Ele precisa ser eficiente, não pode superaquecer em um ambiente onde o ar não circula por convecção natural (devido à ausência de gravidade) e precisa ser robusto o suficiente para não falhar a 400km de altura. É um lembrete constante de que, no espaço, até carregar a bateria é um feito de engenharia.

A infraestrutura HP na órbita

A HP é, essencialmente, a fornecedora oficial de TI da Estação Espacial Internacional. Com mais de 100 estações de trabalho ativas e impressoras projetadas especificamente para funcionar em microgravidade (onde o toner não pode flutuar e entupir os filtros de ar), a empresa construiu um ecossistema que sustenta a vida humana fora do planeta. O ZBook Fury G9 representa a terceira geração de plataformas de computação da HP na estação, consolidando uma parceria que já dura décadas.

O Futuro Incerto: 2030 e o crepúsculo da ISS

Enquanto a tripulação da Expedição 74 celebra o novo hardware, há um tom de melancolia no ar. A ISS tem data marcada para ser desorbitada em 2030. Isso significa que, provavelmente, o G9 será o último grande salto tecnológico que veremos na estação atual. Não faz sentido investir em ciclos de atualização de hardware de longo prazo se a infraestrutura será descartada em menos de cinco anos.

Isso levanta uma questão interessante: o que acontecerá com esses computadores? Eles voltarão para a Terra como peças de museu ou serão incinerados na reentrada atmosférica junto com a estação? Para nós, entusiastas de tecnologia, a ideia de um ZBook que esteve no espaço é um item de colecionador supremo. Mas, por enquanto, eles têm uma missão importante a cumprir.

O “upgrade” da ISS é um lembrete de que, não importa onde você esteja — seja no seu quarto, em um escritório ou na órbita da Terra —, a tecnologia é o alicerce que nos permite realizar tarefas extraordinárias. E, sejamos honestos, se o Chris Williams pode rodar 128GB de RAM a 27 mil quilômetros por hora, você não tem desculpa para reclamar que seu PC demora dez segundos para abrir o Discord.

Fiquem ligados aqui no Culpa do Lag. Enquanto a NASA cuida da órbita, nós continuamos aqui embaixo, garantindo que você esteja por dentro de tudo que importa no mundo da tecnologia e dos games. Até a próxima!